Titulo: O
Conde dos olhos Safira
Autor: John Doe
Anfitrião: James L Flinders
Anfitrião: James L Flinders
Categoria:
Adulto
O
Conde com Olhos Safira
James L. Flinders
John Doe
John Doe
14 de julho de 1865
Os primeiros raios de sol cortavam a fresta
que minha cortina deixara na janela, atingindo meus olhos em cheio. Espreguicei-me
e retornei para debaixo das cobertas sem nenhuma vontade de me levantar.
- Rosebelle! Acorde!
Ouvi os gritos de meu pai vindo da sala, que
voz ele tinha, consegui fazer estremecer até mesmo as paredes de meu quarto no
segundo andar da casa. Sorri novamente e me enrolei mais ainda. Logo Tamara adentrou
meu aposento, nervosa.
- Srta. Vinata, por favor,
seu pai esta furioso, vou acabar sendo advertida por deixá-la dormir até essa
hora – ela abriu a cortina.
Recusei-me a olhá-la, até que tive meu
lençol arrancado. Sorri alto.
- Por favor Senhorita.
- Fique calma Tamara, meu
pai não vai se incomodar ou mesmo brigar com você – ajeitei-me na cama,
sentando por fim.
- Mas hoje não é um dia
qualquer, o representante de seu noivo esta vindo aqui para acertar os detalhes
de vosso casamento – em sua pele morena o sol reluzia, brilhando como se
estivesse apaixonado.
Tamara era a mulata mestiça mais linda que
poderia existir, não era a toa que meu pai a olhava com tanto desejo, imagino
que se pode dizer que poucas mulheres eram quase tão lindas quanto eu.
- Srta. Vinata, por favor.
- Ah tudo bem, tudo bem...
Saltei da cama e fui direto para frente do
espelho, minha camisola branca não fazia jus ao meu corpo, e meus delicados cabelos
ruivos, não importando por quanto tempo eu dormisse, sempre acordavam em sua
perfeita ondulação, dignos de uma princesa.
Sentei-me a frente da penteadeira. Tamara
trouxe-me a bacia para que eu lavasse minha boca e rosto. Logo em seguida me despi
daquilo que usava. Se por um lado o sol
brilhava sobre aquela pele morena, por outro sobre a minha pele branca e a
perfeição das curvas em meu corpo, completamente bem cuidado pela natureza, ele
simplesmente vibrava em êxtase. Vestir-me chegava a ser um pecado para todas as
criaturas vivas.
- Não sei por que essa pose
toda, somos nobres falidos, e além do mais, quem vem é o representando de meu
noivo, não o próprio.
- Dizem que seu noivo é um
dos Condes mais poderosos das terras do oeste, e é conhecido por conquistar
todas as mulheres para as quais olha – ela penteava meu cabelo e me ajuda a
vestir.
- Sei, provavelmente é outro
velhote podre de rico que é louco para por suas mãos em meu corpo – rebolei um
pouco – possuir-me em sua cama. A única diferença é que esse pode pagar o
bastante, até mesmo tornar minha família parte da nobreza outra vez.
Senti meu pulmão esvaziar quando ela me
apertou o espartilho. Inferno, eu odiava usar aquela coisa, apesar de realçar
muito duas belezas naturais que eu possuía. Sorri.
Uma vez vestida em um dos genuínos modelos
de costura da corte, com meu belo chapéu e sombrinha beges, da mesma cor de
minha vestimenta, pude deixar meu quarto em uma pose mais do que prepotente.
Desci as escadas suavemente, meu pai
esperava na sala, seu bigode sempre me dava vontade de sorrir.
- Rosebelle...
- Papai.
- Você esta linda como de
costume.
- Obrigada – ser
perfeitamente educada e correta foi uma habilidade teatral que aprendi a
utilizar com perfeição, como dizia minha falecida mãe, “Teatralidade é uma arma
poderosa”.
- Bem, nosso convidado
chegará em breve, sugiro que você e sua acompanhante deem um passeio pela
cidade Dará um toque de personalidade você chegar depois que nossa visita
estiver em casa. Esse tal Conde Countre parece gostar de atitude e gentileza em
uma dama, eu o estudei bem.
Escutei-o atentamente, ou ao menos fingi
muito bem fazê-lo. Parece que teatralidade estava no sangue. Ele voltou-se para
mim e voltou a falar.
- Esse casamento será nosso
passe para uma vida além. E claro, o seu encontro com um mundo maior do que
tudo com que possa sonhar.
- Perfeitamente meu pai –
sorri como a bela e doce princesinha que deveria ser.
- Ótimo, agora vá. Mandarei
Madalena lhe chamar, por isso não fique longe.
Madalena era a nossa outra serviçal, para
manter as aparências precisávamos de uma cozinheira, minha acompanhante e uma
espécie de governanta. Ainda não sei que tipo de negócios meu pai faz para
mantermos o mínimo da antiga vida, e sinceramente não me interessa saber.
Curvei-me em cumprimento, levemente, e dirigi-me a porta da frente, com
Tamara logo atrás. As ruas estavam movimentadas como sempre, a entrada de nossa
casa dava de frente a uma avenida, se não existíssemos esse lugar seria uma
encruzilhada. O sol estava forte, carroças e carros passavam sem dar trégua,
mercantes e mensageiros rodavam por todos ao lugares.
Eu não podia não sorrir quando praticamente
todos os homens paravam o que estavam fazendo para me admirar com aquelas expressões
de paspalhos, e sem duvida eu amava ver a raiva e a inveja nos olhos de suas
mulheres e pretendentes.
Tamara percebia.
- Todas as vezes que saímos
é assim – disse ela.
- Essa cidade para por minha
causa – sorri satisfeita – o que esses homens não fariam por minha causa?
Matariam uns aos outros, largariam as mulheres e venderiam tudo que tem se eu
fosse o premio.
Seria um pecado eu me sentir tão poderosa e
me gabar por isso, sendo essa a mais pura realidade?
Demos algumas voltas no quarteirão, depois
de um tempo os olhares se tornaram tediosos e repetitivos. A única coisa que me
chamou atenção foi o carro que vinha pela estrada, era diferente dos modelos
que corriam por essa cidade, que mais pareciam carroças sem cavalos. Esse era
comprido, encurvado e não quadrado, negro, um toque de classe.
Fiquei boquiaberta ao vê-lo passar por nós e
o acompanhei discretamente com o olhar. Tamara praticamente virou o pescoço.
- Lindo não Senhorita?
- Totalmente diferente do
que temos por aqui.
- E esta indo para a sua
casa.
- Como?
Era verdade, realmente ia em direção a minha
casa.
- Parece que meu futuro
noivo tem bom gosto para outras coisas além das mulheres – sorri presunçosa.
- Não deveríamos retornar
Srta. Vinata?
- Ainda não, deixe que
espere um pouco mais, mesmo que meu noivo não esteja naquele carro, não custa
mostrar a ele que se me quiser, vai ser do meu jeito.
Sorrimos.
Continuamos a caminhar por mais um quarto de
hora, depois passamos nas vendas e em algumas lojas do lugar, lógico que nada
que pudesse fazer jus a mim era vendido nessas espeluncas, contudo seria melhor
do que não ter o que vestir. Não, acho que estou enganada, qualquer trapo em
mim ficaria mais belo do que algo feito da mais pura seda ficaria em qualquer
uma dessas nobres que mais se assemelham aos burros que puxam as carroças que
tanto desprezam.
Quando voltamos para casa parecia que já
havíamos dado tempo suficiente para deixar nosso convidado ansioso e até um
pouco impaciente com nossa ausência, o instante perfeito para sermos convocadas
a regressar.
Uma vez dentro de casa fomos direto para a
sala onde um homem pôs-se de pé. Era um senhor, bigode grande e cabelos
brancos, era alto e parecia muito forte para a idade.
Mantive meu olhar baixo e levantei-o
graciosamente num sorriso angelical e sedutor, por um momento achei que o tinha
feito tremer um pouco assim que me vira. Entreguei meu chapéu e sombrinha a
Tamara e me dirigi a ele.
- Filha este é Mrs. Raidenovich
Raikov, é russo, o mordo do Conde Countre.
- Estou encantada em
conhecê-lo monsieur – curvei-me docemente e dei-lhe minha mão
para beijar, este o fez sem cerimônia.
- O prazer é todo meu milady
– sua voz era grossa, mas inofensiva.
Sentei-me suavemente de frente ao nosso
convidado, discretamente o analisei. Roupa feita sob medida, sem duvida de
linha, não havendo nenhum sinal de maltrato ou de poeira, coisa que muito havia
nesse lugar. Sem duvida este era de um resguardo impressionante. Postura
alinhada, olhar firme, em nenhum momento tornou a me encarar, o que significa
que respeita muito seu patrão.
- E quando o Conde nos
agradará com o ar de sua presença para podermos fechar os arranjos finais para
o casamento? – meu pai parecia ansioso demais, estava perdendo o foco.
- O Conde não virá – nós
dois gelamos com essas palavras.
- Perdão mais como? –
perguntou meu pai, eu já estava ficando assustada.
- Não haverá necessidade, eu
já vi a noiva, sei que é exatamente o que ele deseja. O dote deverá ser pago
ainda essa tarde, 300 mil libras esterlinas e claro a posse das antigas terras
de sua família, bem como a restauração do seu brasão.
Meu queixo e o do meu pai quase caíram.
- Meu amo esta mais do que
disposto a pagar tudo que sua filha merece para se tornar sua esposa – terminou
o homem com um sorriso no rosto.
Seja quem for esse conde não poderia ser
menos do que podre de rico, foi impossível meu sorriso não se abrir, finalmente
algo que vale a pena ter. Independente do quanto seja desgostoso uma vida
romântica com esse homem, valerá muito a pena.
- O Senhor e sua filha irão
visitá-lo antes de oficializar o noivado para que ela julgue se ele é realmente
digno dela.
Todo resto da conversa já não me dizia mais
respeito. Não me demorei muito mais na sala e me retirei, Tamara veio em
seguida. Sentei-me em minha penteadeira e comecei a escovar meus cabelos.
- Você ouviu tudo aquilo
Tamara?
- Lógico Senhorita.
- Esse homem é muito rico,
muito poderoso e sem duvida tem classe – admirei-me novamente ao espelho – e
semana que vem estarei indo conhecê-lo, você, claro, vem comigo.
Ela sorriu, deve ter aprovado a idéia de
viajar.
- Mas Srta. Vinata e se ele
for, sei lá, horrível ou nojento, talvez um velho?
- E quem disse que me
importo? Para isso servirão os belos capatazes, serviçais ou mesmo os rivais
políticos de meu estimado futuro marido.
- Milady, a Senhorita chega
a ser muito cruel – reprovou-me.
- Não estou casando por amor
Tamara e nem ligo para este, vou apenas atrás do que quero.
***
27 de julho de 1865
Pegamos a locomotiva aquela amanhã, ela nos
levaria as terras oriundas do leste para o encontro com meu “amado” nas baixas
terras alemãs. Ouvi dizer que sua casa se assemelha os jardins de nossa querida
Paris, um gosto a seu vizinho, cultivado pelo conde.
Tamara e meu pai eram os únicos que seguiam
comigo por tal jornada. Os homens no caminho, no trem, não conseguiam desviar o
olhar quando passavam por mim. Tenho certeza de ter visto algumas mulheres
baterem neles, mas diferente de como é de meu costume não dei atenção desta vez,
algo estava me puxando e prendendo meus pensamentos para essa nova terra, esse
novo lugar.
Já era quase noite quando descemos.
Hospedamo-nos em uma pequena cidade a caminho de nosso destino. Tomaríamos
outro trem pela manhã. Se possível quero esquecer a noite em lugar de tão pouca
classe. Não que não houvessem tentado ser o minimamente refinados, contudo tentar
não era o bastante, cheguei a sentir falta de casa por um momento, mas nada que
não fosse superado pela esperança do que iria encontrar pela frente.
***
28 de julho de 1865
A outra viagem fora tão pouco agradável
quanto à primeira, mas devo admitir, a paisagem era fabulosa. Belos vales e
montes, desde plantações e pastos até jardins e montanhas de mata densa. Uma
terra magnificamente sedutora e perigosa. Eu amei.
Pouco prestava atenção nas coisas que Tamara
dizia, meu pai mais dormia do que todo resto e eu não fiz questão alguma de
passear pela locomotiva.
O sol começava a se por quando finalmente
chegamos a nosso destino.
Mrs. Raidenovich Raikov esperava-nos na
plataforma de desembarque, seguido de mais um homem, chinês, robusto e de
cabelos longos. Assim que nos viu ele se aproximou sorridente.
- Madames! Monsieur! Boa
noite – beijo-me a mão, bem como a de Tamara – é um prazer revê-los.
- O prazer é todo nosso –
disse papai, olhando para o chinês atrás dele, provavelmente se perguntando o
mesmo que nós.
- Este é Lien Yang, o
chamamos de Romeu se preferirem, nosso chofer e segurança – apressou-se em
dizer ao ver nossa confusão – Romeu, pegue as bagagens e leve-as para o carro.
O chinês obedeceu, mesmo que não fossem
poucas malas ele deu seu jeito. Pelo visto meu querido conde gostava de
cercar-se de pessoas fortes e competentes, mais uma qualidade para sua coleção,
estou mais curiosa do que nunca. E se meu futuro marido for realmente o velho
enrugado que imagino ser, talvez esse chinês mostre-se mais viril, quase
gargalhei com o pensamento.
Seguimos para o carro, aquele mesmo modelo
luxuoso e único. O caminho para a casa de nosso anfitrião foi longo, a noite já
circulava pelo céu livremente e a iluminação da rua era muito bem colocada, mas
tudo em volta era floresta. Faltava apenas chegarmos num castelo antigo e mal
conservado, onde meu noivo, um velho pálido e sombrio sentiria atração
repentina por fazer caricias em minha jugular.
Entretanto se eu tivesse feito desse meu
pensamento palavras, eu teria de engoli-las de volta. O portão de metal era
enorme, contudo nada de mal conservado vinha através dele. Um gigantesco
jardim, com arranjos floridos muito bem localizados, árvores bem dispostas,
paredes naturais de rosas que cortavam a região e um belo lago ao centro, ficavam
a frente de uma enorme mansão, absolutamente linda e bem iluminada. Era como um
palácio onde seria realizado um baile.
- Nossa – Tamara não se
conteve – é magnífico.
- Tenho certeza que meu
mestre ficará muito satisfeito em saber que lhes agrada a residência que eles lhe
oferece e espero que apreciem a hospedagem – disse Raidenovich.
Por
dentro a casa era clara, num tom bege, simplesmente deslumbrante. Haviam
empregadas e mordomos, e não eram poucos. Nos recepcionaram com o devido
cumprimento e só depois de dispensados se dirigiram a seus afazeres. Nunca
fiquei tão deslumbrada na vida. Achei algo comparável a minha beleza, todo esse
lugar, tudo que ele representava, como se estivesse esperando para me acolher
como sua legitima dona.
- E o conde? – não resisti
em perguntar.
- Ele deverá chegar amanhã
pela manhã, teve de se retirar em nome dos negócios – respondeu-me Raidenovich
– venham, levá-los-ei a seus respectivos aposentos.
Os quartos eram todos no segundo andar, a
direita ficava o do meu pai, o meu no fim do corredor à esquerda, o de Tamara
logo a minha frente. O do meu noivo era no corredor oposto, a grande porta
dupla.
Sentei-me em minha doce cama macia, em meus
cobertores que variam de um tecido firme para aquecer-me a noite, até a pura e leve
seda, para cobrir meu corpo tornando-o ainda mais delicado e belo,tudo em tons
claros.
- Nada de Drácula pelo que
vejo – falei.
- Como disse senhorita? –
Tamara estava lá comigo.
- Nada. Creio estar apenas
nervosa para vê-lo amanhã, fico imaginando se ele também combina com essa
decoração.
Não muito tempo depois fomos chamados para
um excelente jantar requintado, até Tamara sentou-se a mesa conosco, por
insistência de Raidenovich, em nome de seu patrão. O banho fora, de longe, a
parte mais glamorosa, incluindo sais, massagem relaxante por parte das
serviçais, água morna ao ponto, não faltou nada para agradar meu apetite por
conforto. Imagino se minha acompanhante teria o mesmo tratamento, talvez.
Tamara ficaria louca e envergonhada. Sorri com o pensamento.
Dormi a noite dos justos.
***
29 de julho de 1865
Como eu previ Tamara morreu de vergonha em
ter seu corpo lavado e cuidado como uma senhora da alta linhagem, falamos sobre
isso a manhã inteira.
O café da manhã fora divino, a sala de jantar
era soberba. Meu pai já não fazia companhia a nós. Estava admirando os jardins
em companhia de seu novo melhor amigo, Raidenovich.
Retornamos ao Hall de entrada.
- Deveríamos passear pelo
jardim – disse Tamara – parece fabuloso.
- Concordo.
- Então espero poder ter a
honra de acompanhá-las – a terceira voz era masculina e vinha escada acima.
Vire-me de imediato para vislumbrar seu dono.
A tonalidade no som que emanava da boca daquele homem não era apenas linda, era
musical. Ela por si só estremeceu meu corpo, excitou-me. Pela primeira vez na
vida olhei alguém e vi todas as minhas noções sobre beleza se moldar. Aquele
homem era a encarnação do lado mais gentil, puro, belo e firme de tudo que
havia nesse planeta. Sua beleza fazia a minha parecer pouco e a dos outros
parecer nada.
Sua postura era ereta, andava quase
flutuando, a pele branca fazia contraste com as vestes formais negras, e também
com seus cabelos de mesma cor, compridos e presos educadamente. Seu sorriso me
derreteu, combinava perfeitamente com seu corpo magro, na medida certa. Ele
caminhou até ficar de frente para mim, era mais alto, precisei olhar para cima.
Por mais charmoso que tudo nele fosse,
perfeito, nada era tão grande quantos seus olhos, eles não eram azuis, verdes
ou vermelhos, eram diferentes, algo que ninguém julgaria possível, eles eram
safira, cor de safira, roxos, beirando o lilás, claros, assim como pedra. Meus
deus, apenas seu olhar já era uma jóia em si. Que homem era aquele?
- Srtas. – ele veio até mim
– posso ter a honra? – deu-me seu braço.
Eu o segurei.
O passeio no jardim fora poético. Nunca ouvi
alguém falar como ele. Na verdade, pouco prestei atenção às palavras em si.
Cada movimento seu era suave, era brilhante. Foi uma tarde única.
Os dias que se passaram foram tão
formidáveis quanto.
***
13 de Agosto de 1865
Está é a segunda vez que venho visitar meu
noivo, não pude esperar mais de 10 dias para vê-lo novamente, creio estar
apaixonada. O casamento fora marcado para o começo de Outubro, os serviçais
estão cuidando de tudo, só preciso me preocupar em estar linda para o conde, o
que não seria nem um pouco difícil fosse qualquer outro homem.
Tamara não veio comigo dessa vez, meu pai
precisou dela na nova, na verdade antiga, mansão da família que, junto com as
terras, foram devolvidas a meu pai. Fora realmente uma sorte que o mesmo
comprador de tudo que meu pai possuía quando faliu fosse o mesmo conde que
viria a desposar-me.
Eu agora usava vestidos caros e bem feitos,
como este num tom de areia, corte regular e babado franzido por sobre as coxas.
Andava muito mais ereta e bem alinhada, e até meu cabelo, antes sempre solto,
agora viviam presos em belos arranjos, tudo pelo gosto dele.
Era meu segundo dia e meu noivo havia
reservado algo muito especial para me mostrar.
- Venha minha querida, é por
aqui – indicou-me a gigantesca porta, aberta a pouco por Raidenovich – quero
mostrar-lhe uma paixão que tenho.
A galeria era imensa, linda, como um salão.
Nele havia apenas alguns manequins, na verdade pareciam mais bonecas de cera em
tamanho real. Vestidas com os mais lindos trajes, eram cinco mulheres, todas
absolutamente lindas e muito próximo ao real. Era espantoso.
- Nossa que lindas, quem
são?
- São lembranças, em
homenagem a belas mulheres que conheci em minhas viagens.
- Elas foram... Suas
amantes? – as palavras quase me rasgaram o peito.
- De certo modo, mas não
como pensa – ele sorriu para mim e a dureza se partiu – Não fique com ciúmes
meu amor – abraçou-me por trás – um dia farei uma para você, a mais bela de
todas.
Meu coração disparou ao sentir seus lábios
acariciarem meu pescoço e todo meu corpo fraquejara.
***
03 de outubro de 1865
Este é o grande dia. Tamara entrava em
desespero por me ver tão linda, o vestido branco, de gola alta, quase roçando o
queixo, decote avantajado e véu curto eram perfeitos, nunca senti meu corpo com
tantas curvas. Alugamos um belíssimo jardim nos Cárpatos, na Romênia, para o
casamento. O lugar estava lindo, um rei não poderia ter feito melhor. Seja de
onde for que esse Conde com olhos safira tenha saído, ele sabia ser grandioso.
Quando à hora chegou eu caminhei até o
altar, com meu pai segurando meu braço. Olhei para ele, provocantemente. Nessa
hora ele sabia que eu diria sim, que não havia retorno, eu seria a Senhora Niklaus
Belfront El Contre.
***
04 de outubro de 1865
Não sei descrever quanto prazer obtive
durante toda esta noite. Estava morta de cansada e rindo a toa. Fiquei sentada,
ainda nua, envolvendo-me apenas com a seda de nossa cama. Bati minhas pernas,
me sacudindo, rindo e finalmente me joguei no travesseiro, suspirando.
- Meu deus que homem! –
falei quase gritando
Ele já se levantara, não o vi sair.
Antes que eu pudesse pensar em me levantar
ele entrou no quarto, carregando uma bandeja de café da manhã, com rosas
brancas de enfeite. Quando o vi sorri, ele retribuiu. Não agüentei, joguei-me
do jeito que estava para fora da cama, corria até ele, pulando em seu colo.
Para me segurar ele largou a bandeja e acabou derramando tudo no chão.
- Rosebelle, mas o que... –
disse sorrindo abertamente, pouco antes de ter seus lábios selados por meu
beijo.
- Adorei o que você fez, mas
esqueça o café, tenho fome de outra coisa.
Ele apenas sorriu e não hesitou em levar-me
para cama novamente. Não achei que do jeito que estava seria capaz de sentir
todo aquele prazer de novo, não agora. Enganei-me profundamente.
***
03 de Maio de 1867
Faz mais de um ano que estou casada com Niklaus,
conheci o mundo nesse tempo, algo que a maioria das pessoas nem imagina que
exista, florestas cobertas de neve no extremo norte do país, cachoeiras enormes
em terras Americanas, o belo monte Fuji no Japão, dentre outros belos lugares.
Meu marido mostrou-me tudo que conhecia, em um ano vivi por uma vida inteira.
Fizemos amor ao ar livre, em lindos e luxuosos hotéis, mas admito que seja
muito bom estar em casa. Talvez aqui eu tenha sorte em dar um filho a ele.
Tomei um belo banho relaxante e pus-me a
dormir, Niklaus dissera-me que o mais belo presente que ele havia me prometido
ser-me-ia entregue ainda na próxima manhã, eu queria estar linda para receber
tal honraria.
***
Minhas costas doíam quando acordei, ainda
estava escuro a não ser por uma lâmpada brilhante bem de frente para mim, por
alguma razão não consegui falar ou mesmo me mover.
Comecei a olhar para os lados, quando notei
que estava nua, numa espécie de cama de pedra, amarrada e amordaçada com cintos
de couro, comecei a me desesperar.
- Tenha calma Sra. Countre,
não precisa se agitar – Raidenovich estava ao meu lado, usava luvas e um
avental, junto a ele uma mesa com instrumentos cirúrgicos e um caldeirão.
Meus olhos se arregalaram, entrei em pânico
querendo fugir.
- Porque está tão nervosa
meu amor? – olhei para ver Niklaus do outro lado, sorrindo docemente – Não há
razão para isso, estou apenas dando-lhe o que prometi.
“O que? Você esta louco, o que significa
tudo isso?”, pensei e gemi.
- Não se lembra? – ele veio
próximo, pude ver seus olhos brilhando, ele alisou meu rosto devagar, tive
nojo, queria fugir – Eu te prometi a eternidade, a beleza e juventude. Prometi
sua própria estatua de cera, e é o que lhe darei.
Ele beijou meu rosto, eu tentei gritar,
alto, mas apenas um gemido escapou pela mordaça. Ele se afastou me olhando.
- Sabe o que deve fazer e
lembre-se, se ela tiver uma única falha, se estragar essa perfeição, sabe o que
lhe acontece – disse.
- Claro mestre, eu ainda não
falhei com o senhor.
- Até logo meu amor, estou
louco para te ver de novo em algumas horas – disse-me sorrindo e saiu porta
afora.
Tentei gritar de novo, sem sucesso.
***
04 de Fevereiro de 1870
- Venha Heather, deixe-me
mostrar-lhe meu tesouro – meu noivo abriu a porta da galeria.
- Nossa são lindas –
exclamei ao ver a belas bonecas de cera, uma mais linda do que a outra, haviam
seis, porem fora a ultima que mais me chamou atenção – esta é linda.
- Rosebelle, sem duvida a
jóia dentre as jóias. Todas essas belas estatuas são presentes, em homenagem a
essas mulheres que conheci em minhas viagens.
- Elas eram suas... Amantes?
– perguntei me roendo de inveja, ou seria ciúmes?
- De certo modo, mas não
como pensa – ele abraçou-me por trás – Não se preocupe meu amor, um dia farei
uma em sua homenagem.


Eu particularmente amo este conto.
ResponderExcluirAlgo tão bem bolado e brilhante, vindo de uma mente criativa.
Estarei esperando pelos próximos....
Garanto-lhe que não se arrependerá de se hospedar em minha cidade, e que apreciará minhas outras histórias tanto quanto fez a esta.
ExcluirEspero que aproveite tudo que virá.
Att, seu amigo...
James
Que lindoooooo.
ResponderExcluirLlindo.
muito lindo!
Agradeço e aceito humildemente seu elogio, afinal é realment fabuloso não?
Excluir:)
Espero que um dia aceite meu convite para visitar as bonecas de cera, eu as guardo num local especial da cidade.
Um dos melhores contos!
ResponderExcluirParabéns!
Nós do clube do livro adoramos o seu conto, O Conde com olhos Safira!
Fico mais do que satisfeito como o reconhecimento, e garanto nosso encanto é mutuo, desde que ouvi falar de vocês. Que tal fazermos algo? Se tiverem interesse enviem-me um email para jamesliquid23@gmail.com com um tema ou um pequeno resumo de alguma história algum personaguem, algo que gostariam de ver em um de meus contos, e eu o escrevei para vocês. O que me dizem? Afinal em New Perrish, e para mim, um pedido do Clube do Livro é lei.
Excluir