Titulo: Laços & Fitas
Autor: John Doe
Anfitrião: James L Flinders
Anfitrião: James L Flinders
Categoria: Adulto
Arquivo: Segredos&Noites #2
Arquivo: Segredos&Noites #2
Segredos
& Noites
James L. Flinders
John Doe
John Doe
II-
Laços & Fitas
Quando
o celular vibrou a garrafa vazia de conhaque caiu do criado mudo e se
estilhaçou no chão. O barulho fez o homem saltar da cama sacando sua 9mm que
ficava por sob o travesseiro. Ele respirou fundo quando percebeu o engano,
jogou o revolver na cama e, sem uma única gota de paciência no sangue, atendeu
o telefone, disfarçando o melhor que podia.
- Faz 14 anos, desde
que me mudei para essa maldita cidade, que não tenho uma única noite decente,
hoje eu estava quase lá. Acho bom ser importante.
- Não seja mulherzinha “Shalashaska”, temos
algo aqui que você vai querer ver. Anota a porra do endereço e vem aqui.
Ivan Stepanovich Volgin era Detetive de
policia desde que fora convidado a se retirar da Rússia, anos atrás, e mudar-se
para o leste. Aos 21 anos ele já era um militar de grande reputação em seu
país. Conhecido pelos métodos brutais e sem escrúpulos, seu serviço era caçar
militares e policias corruptos e traidores, fazê-los confessar e lançá-los num
buraco escuro para o resto da vida. Foi nessa época que ele ganhou o apelido de
“Shalashaska”, uma gíria russa para “prisão”.
Quando os corruptos tomaram o poder, o Major
Volgin teve de fazer uma escolha, fugir ou provar do seu próprio remédio. A ideia de ser trancafiado no mesmo lugar junto com os homens que ele torturou
não era muito convidativa, ele fez a escolha mais sensata. Um acordo feito com
o governo estrangeiro garantiu a ele um emprego no policia de uma das cidades
mais corruptas e violentas do seu refugio. Entretanto sua reputação o precedeu,
os criminosos o odiavam por seus métodos violentos de captura, seus colegas ou
tinham medo dele, ou zombavam dele, usando e abusando de seu apelido, que mais
uma vez ganhou força graças as prisões de diversos criminosos que antes não
foram tocados, mesmo aqueles que simplesmente ninguém conseguia encontrar, mas
as pessoas eram diferentes. Os civis gostavam do Detetive, e na rua ele tinha
excelente reputação, porem ele tinha certeza que as pessoas que mais o amavam
ali eram as prostitutas, que carregavam a maior parte do seu salário.
Ele atirou o telefone na cama e saiu
caminhando até o banheiro, sua barba por fazer estava arranhando e seus cabelos
não viam uma tesoura em séculos, mas ele não estava a fim de cortados, muito
menos de fazer a barba.
- Que se dane.
Nu como estava ele entrou no boxe e ligou a
água quente. Demorou em demasiado, como sempre fazia, mas não ligava para isso,
se o queriam tinham mais era que esperar.
Vestiu-se com a primeira roupa que puxou do
armário, apanhou seu distintivo, arma e chaves, jogou o sobretudo marrom sobre
o corpo para se proteger na noite fria e saiu sem nem mesmo trancar a porta. A
única coisa de valor que tinha naquela porcaria de apartamento era sua bebida.
Passava das três, as ruas estavam vazias e a
garoa não chegava a valer o esforço para ligar as palhetas do para-brisa. Levou
pouco mais de quarenta minutos para chegar a cena do crime após a ligação
recebido, e seu encarregado não pareceu muito satisfeito.
- Mas que porra Volgin,
quando eu mando chamar você tem que chegar na hora seu imbecil, não estou aqui
para...
- Ah vai se fuder
Wiscon.
Billy Wiscon era baixinho, gordo, careca e o
segundo no comando, logo abaixo do comissário Nolan. Como superior ele tentava
se impor ao Detetive, obviamente não obtinha muito sucesso, a popularidade do
mesmo com as massas impedia Wiscon de fazer qualquer movimento em contra as
ações de Volgin. Não que nunca tivessem tentado incriminar o russo para vê-lo
abaixar a cabeça, porem tiro saiu pela culatra.
- Você não pode falar
assim com seu superior Volgin!
Mas o detetive já havia se afastado e, mesmo
que não tivesse, iria apenas ignorar o cretino. Adentro a cena do crime outro
detetive, negro e magricela, abordou “Shalashaska” falando pelos cotovelos.
- Cara você vai pirar,
é algo bizarro e louco, acho que temos um psicopata a solta, tenho certeza de
que vai ser o belo serial killer, apesar de apenas ser um corpo até agora, mas
você vai ver...
- J-Black?
- Sim Ivan?
- Cale a boca e me leve
ao corpo!
- Poxa cara não sei
porque você trata assim, mas também quem liga, o que importa é que – Volgin já
não estava ouvindo, ele apenas ia andando até chegar ao quarto do motel
vagabundo, e seus ouvidos só voltaram a funcionar depois que o choque passou –
Você esta me ouvindo? Entendeu a piada? Não tem corpo para te levar, só uma
cabeça.
Era cabeça feminina, estava em cima de uma
cama, com uma poça de sangue a seu redor, e o mais incomum, havia uma fita
verde clara amarrada em um delicado laço, como se a cabeça fosse um presente.
- Vamos dar uma olha.
- Ah, Ivan, você não
pode entrar ai, a pericia ainda não terminou... E ele não me escutou.
Volgin aproximou-se o máximo possível da
cabeça, a equipe não pareceu muito contente com isso, mesmo assim ninguém disse
nada. Ele parou e observou bem de perto.
- O corte não foi
único, levou pelo menos três estocadas para matar, não foi alguém muito grande,
ou forte, mas a vontade foi verdadeira. Provavelmente foi um homem magro ou uma
mulher. O rosto dela esta sujo de alguma coisa parecida com cimento. Agora essa
fita é que é difícil de dizer para que serve.
- Foi um símbolo não
acha isso óbvio? A marca do psicopata.
- Não diga Wiscon, e
você chegou sozinho a essa conclusão? - Billy Wiscon ficou vermelho de raiva –
O que eu quis é que homens como esse não seguem exatamente um padrão. Deixar
uma cabeça de presente? Não acha muito clique? É como se ele quisesse que
soubéssemos que existe um serial killer por ai.
- Esse malucos estão
sempre querendo ser pegos pela fama – cuspiu do sub comissário.
- Talvez, acho que
vamos descobrir. Além do mais, essa cabeça, me parece familiar, tenho a
impressão de que já a vi andando com um corpo por ai, só não tenho certeza de
onde e quando.
Volgin estava ansioso com o pensamento de
conhecer aquela mulher, e começou a se perguntar se o “presente” era para ele,
contudo ainda era cedo demais para especulações. O detetive não tinha duvida de
que mais iriam morrer, então estava na hora de buscar a palavra nas ruas,
talvez alguém tenha ouvido falar de algo, ou reconheça a cabeça. Ele iria
começar a procurar, mas não naquela noite. Volgin deu as costas sem pensar ou
ouvir nada, dirigiu para casa e se atirou na cama, só queria dormir muito e
chegar bastante atrasado ao trabalho no dia seguinte.
***
Colin Atalaieste, mais conhecido como “O
Porco”, vivia numa espécie de refugio e poucos sabiam como encontrá-lo. O
edifício ficava no bairro mais podre da cidade, nesse lugar só haviam bordeis,
bibocas e apartamentos condenados, e esse ultimo era o caso da casa do Porco.
- Só que as aparências
enganam pra caralho – resmungou Volgin consigo.
Esse lugar não era estranho para o Detetive.
As putas da região lhe eram bem conhecidas, e apesar de ser o herói do povo
pobre da cidade, a verdade é que suas ações não tem nada haver com ajudar as
pessoas, apenas fazer “o que der na telha”, ver o circo pegar fogo, esse era o
verdadeiro objetivo de Ivan Stepanovich Volgin, e do que ele realmente gostava?
Violência, bebidas e mulheres. Afinal, se ele fosse mesmo um homem melhor, já
teria quebrado o pescoço do Porco e jogado seus restos num grande moedor de
carne. Ao invés disso ele deixava o verme fazer o que queria na encolha, e as
vezes ganhava informações e outras coisas a mais.
O prédio era uma desgraça em sua fachada. O
jardim só tinha mato, a pintura estava desgastada, o segurança era um velho nojento
que não ligada para ninguém e o elevador não funcionava. Qualquer um que
pegasse as escadas só veria drogados ,velhos e prostitutas em fim de carreira
nos andares acima, quem resolver aventurar-se pelo porão encontraria um
apartamento de luxo.
Quadros de pintores famosos, estatuetas,
tapetes de camurça, um enorme frigobar, TV 3D, bluray, mais e mais tipos de
vídeos-game.
- Porco seu merda, é
melhor dar as caras!
Levou alguns segundos para um homem surgir
do corredor. Encorpado, mas não forte, talvez calvo, difícil dizer, usando
apenas uma toga tão branca e limpa que chegava a brilhar, revelando um pouco de
seu corpo visivelmente deformado, e uma mascara de porco. Ele já fora um dos
cafetões mais bem sucedido da cidade, mas agora geria seus negócios do escuro,
todo mundo queria um pedaço dele afinal.
- Shalashaska, meu
velho! Que você quer de mim dessa vez? Garotas? Informação? Grana? Tenho o que
precisar.
- Veremos – Volgin
andou até se sentar no estofado muito confortável – sempre vivendo como um rei.
- Eu tento!
Havia um barulho extremamente irritante
vindo do quarto nos fundos.
- Que é que você esta
fazendo lá?
- Curtindo. Agora chega
de papo furado – ele foi até o frigobar – Tome, pegue uma bebida – e atirou uma
cerveja ao detetive – Manda – disse sentando-se também.
- Cabeça, decapitada e
amarrada com uma fita e um laço.
- Ah eu ouvi falar, uma
das putas do 14K.
- 14K? O prostíbulo do
chinês tatuado? O tal do Tóugǔ? Não é de se estranhar que eu tive a impressão
de conhecer a garota, já visitei bastante o 14K.
- De uma checada,
alguém pode saber de alguma coisa, só fiquei esperto, o tal Tóugǔ não é de
brincadeira, e ele é um homem com muitos inimigos, que facilmente podem se
tornar seus, sabe como funciona o esquema.
- Pode apostar – o
detetive bebeu até a ultima gota da cerveja – só preciso me aliviar antes, ou
posso acabar fazendo outra coisa que não investigar quando chegar lá.
O Porco começou a gargalhar.
- Venha comigo Major,
vamos dar um jeito nisso.
Ambos foram até o quarto dos fundos, onde
uma garota magra, de pele caramelo e longos cabelos lisos e negro, apoiava-se
de quatro no chão do quarto enquanto um porco enorme montava sobre ela e
grunhia feito louco enquanto a penetrava, a garota por outro lado não parecia
estar aproveitando muito.
- Você é um filho da
puta doente Porco.
- Então somos dois,
major... Somos dois.
Shalashaska abriu o zíper da calça,
ajoelhou-se no chão e fez a garota engolir até engasgar.
***
Já era bem tarde da noite e o 14K estava
vibrante, a música estava alta, garotas de topless dançavam, serviam bebidas e
distraiam os tolos mais ingênuos, enquanto as drogas rolavam soltas. Ninguém
parecia muito se importar com a presença de um Detetive de policia, isso
pareceu aborrecer muito o antigo major. Ele sacou sua arma e deu vários tiros
no teto, as pessoas gritaram e se abaixaram, a música parou por completo.
- Silencio enfim. Todo
mundo fora – ninguém se moveu – FORA!
A debandada foi rápida e Tóugǔ não pareceu
muito contente, ele e mais dois dos seus surgiram e começaram a gritar para
Volgin em chinês. Não que ele pudesse entender muito coisa, essa foi a segunda
coisa que o irritou hoje.
Volgin deu um largo passo a frente e sua
cabeça voou direto no nariz de Tóugǔ ,que conseguiu ouvir os próprios osso quebrando.
Seus homens ficaram perdidos, não sabiam o que fazer contra um policial, ainda
mais contra aquele policial, essa hesitação foi o bastante. Ao fim eles estavam
com muito mais que um nariz quebrado.
Tóugǔ gemia enquanto Volgin o puxava pelas
orelhas até os rostos ficarem bem próximos.
- Precisamos conversar
– disse o ex-major.
O chinês foi atirado contra um dos bancos
para clientes. O Detetive sentou-se ao seu lado e relaxou, a essa altura apenas
eles e as prostitutas ainda estavam no recinto.
- Lamento pela recepção
um tanto brutal, mas achei que era o melhor jeito de conseguir sua atenção sem
começar uma discussão burocrática de merda.
- Que quer você? –
Tóugǔ sentia muita dor, e era difícil respirar com o nariz quebrado, sua voz
saiu ainda mais estranha que de comum.
- Reconhece? – ele
atirou a foto da cabeça para o outro ver.
- Das minhas era – ele
falava com relutância e raiva, pouco importava para Volgin – boa puta.
- Pode me explicar
porque ela esta, bem, desse jeito?
- Saber eu não.
Volgin chutou-lhe a canela com violência.
- Melhor desembuchar
seu puto, ou vou esmagar bem mais que seu nariz e pernas!
- Saber eu não – gritou
o chinês, em uma mistura de ódio e medo – eu ela não matei.
- Não sei se eu
acredito.
- Elas úteis não mais,
levadas drogas trabalhar.
- Hum, que destino
maravilhoso não acha? – Volgin ascendeu um charuto, algo difícil de se
encontrar com alguma qualidade hoje em dia, e tragou despreocupadamente – Então
você não sabe de nada, isso não é bom para mim e ninguém gosta muito quando
isso acontece.
Olhar fez toda diferença, Tóugǔ tremeu.
- Fala com meninas,
pergunta Lauren, elas saber. Ela matar não.
- As garotas não é?
Muito bem, vou dar uma palavrinha com elas. Você fica aqui.
Ele levantou-se e largou o chinês lá. Os
camarins das garotas ficavam nos fundos, era bem iluminado e bem menos bagunçado
do que ele imaginara, era a primeira vez que entrava ali, apesar de já conhecer
o outro cômodo muito bem. Lá ele reconheceu diversas garotas, diversas estiveram
em sua cama, unas gostavam dele, outras nem tanto, especialmente as que já o
viram com o Porco.
- Esta garota deve se
chamar Lauren – ele mostro a foto da cabeça, erguendo para todas – ela esta
morta, teve a cabeça decepada e a identidade de quem realizou tal ato é um
mistério. Se alguém aqui souber algo que possa ajudar, acho melhor falar agora,
porque quando eu descobrir quem e souber que uma de vocês prejudicou minha
investigação, ou que alguma irresponsavelmente tentar esconder algo, eu vou destroçar
junto com o miserável. Portanto, alguém aqui tem algo a dizer?
Elas ficaram olhando entre si, desconfiadas,
apavoradas. Volgin sabia que aquela técnica provavelmente teria pouco efeito.
- Não sabemos muito –
falou uma das garotas – Lauren era igual a gente, tinha uma vidinha de merda,
sem nada.
- Ela não tinha
namorado, ou cliente fixo, ou alguém do tipo – disse uma segunda.
- Ela pouco se
destacava, mesmo aqui – uma terceira resolveu se manifesta.
Todas informações pouco úteis. Contudo uma
das garotas não estava olhando para ele, apenas uma dela. Pele clara, cabelos
loiros e olhos verdes. Quando ela finalmente o olhou, havia apenas frieza ali.
- Você – o Detetive
apontou para ela – qual é o seu nome?
A garota hesitou por um tempo considerável antes
de falar.
- Natalia.
Ele partiu na direção dela, segurou-a pelo
braço e a arrastou para o como ao lado, imprensando-a contra a parede.
- Você sabe de alguma
coisa, posso sentir no seu cheiro.
- Eu não... – ela
tentou discutir mas ele a calou.
- Eu ganhava a vida
descobrindo e torturando traidores, sou bom em ver quando mentem para mim, e
você esta mentindo. O que você sabe?
Ela se recusava a falar, terminantemente,
mas ele a quebraria, sempre quebrava.
- Quem era essa Lauren?
O que ela estava fazendo? – nenhuma resposta -
Se não me disser nada vou até lá e digo que você cooperou. Quanto tempo
acha que vai durar depois disso aqui?
Os olhos dela mudaram, ele sabia que havia
ganhado.
- Vão ferrar comigo se
acharem que eu te disse algo.
- Vou te ferrar agora
se ficar calada.
- Tá bom, Lauren estava
fazendo trabalho extra, dando por fora entendeu? Grana sem Tóugǔ saber.
- E ele a matou por
isso.
- Não sei, mas ela
estava estranha, acho que ela se meteu com alguém que não gosta muito do 14K,
ela havia descoberto algo, ou tramava algo, e não deu certo.
- Com quem ela se
encontrava – Volgin estava quase bufando.
- Não sei, mas você não
é o primeiro a procurar por ela. Moramos no mesmo prédio, praticamente
vizinhas, eu vi duas pessoas saindo do apartamento dela outro dia, pessoas que
sei que o 14K não suporta, e vice-versa.
- Quem?
- Os gêmeos gordos.
- Os detetives
privados? Os Tweedy?
- Esses mesmos, vermes
nojentos – ela cuspiu no chão.
Volgin arrastou a jovem para o cômodo
anterior e a atirou aos pés das demais.
- Se me fizer perder
tempo outra vez vai acabar pior que seu cafetão – em seguida o Detetive
disparou para o salão de recepção dos clientes sem olhar para Natalia
novamente.
Tóugǔ ainda estava lá e agora um garoto
negro estava ajudando-o.
- Merda, doer mais eu
fuder você! – gritava o chinês para o garoto que tentava limpar-lhe o nariz
ensanguentado
- Suas putas são tão
inúteis quanto você, não tente sair da cidade olhos puxados, se fizer isso eu
vou saber.
Volgin saiu do 14K o mais rápido que pode.
Ansioso para encontrar os gêmeos balofos, fazia tempo que ele buscava uma
desculpa para estripar aqueles dois, e hoje era a noite ideal.
***
- O que foi? – Volgin
não esperava que seu celular tocasse justamente agora, enquanto seguia para ter
uma conversa com os Tweedy.
- Você vai querer vir
aqui agora mesmo Ivan! - disse a voz do outro lado.
- J-Black se você me
fizer perder tempo hoje...
- Temos uma nova
cabeça!
O Detetive não sabia dizer que aquilo era
algo bom ou ruim, mais morte significa mais pistas, contudo desvia-o dos gêmeos
em momento crucial. No fundo ele sabia que não havia escolha, entrou no que
chama de “porcaria de classe média” e dirigiu para o novo local.
Desta vez não fora um hotel barato no meio
da cidade, a nova cabeça estava no capo de um carro parado em um beco no
centro. Ela estava cuidadosamente colocada sobre uma poça própria de sangue, e
uma fita cor de rosa formava um delicado nó de presente.
- Uma asiática dessa
vez, talvez coreana – dessa Volgin não teve muito dificuldade de lembrar, era
outra das putas do 14K, ou de uma de suas filiais mais ao sul. Pelo que ele
lembrava essa moça fazia coisas incríveis com a boca.
- E então, o que você
acha? – J-Black estava elétrico, sempre era assim pelo que se podia ser
lembrado. Volgin achava que era cafeína demais, ou que ele era um psicopata
enrustido, ele não sabia dizer, talvez até o responsável por essas mortes,
honestamente ele não ficaria surpreendido se assim fosse.
- Acho que devemos
ficar de olho do 14K.
- Porque?
- Ambas era vadias dos
chineses.
- Parece então que
temos nossa ligação. Mas como descobriu isso?
- Essa eu já comi, e a
outra eu assisti dançando uma vez, creio – não seria boa idéia revelar a visita
ao bordel, portanto Volgin fez-se em silencio sobre a mesma – Seja como for,
vou deixar isso aqui por sua conta, só em avise quando os nerds acabarem a
analisa de ambas as cabeças, pode haver alguma pista. Até lá eu tenho umas coisas
a resolver.
A noite estava perdida, o Detetive não tinha
quaisquer intenção de perder toda a madrugada atrás dos Tweedy apenas para
estar esgotado no dia seguinte. Por hora o melhor a fazer era dormir.
Ele sonhou com a casa do Porco.
***
O dia foi muito quente, o que resultou em
pouco trabalho policial. A maioria dos integrantes do departamento de policia
não passavam de burocratas gordos e preguiçosos, o que facilitava evitar o
trabalho.
O ex-major era um homem de hábitos noturnos,
e não gostava de caçar debaixo do sol, mas quando o sol começou a perder o
brilho, ele já tinha destino certo.
A primeira parada era o escritório dos
detetives particulares Debby e Bump Tweedy, eles não estavam. Invadir não foi
muito difícil.
- “E agora o que farei,
que vou dizer a meus amigos, dizer para todos eles” – o Detetive cantava
enquanto analisava a tranca – “Eu não quero mais ficar só, ah...” – ele
caminhou até a lateral, pegou o extintor de incêndio e destruiu a fechadura –
“Espero que dessa vez nosso amor seja real”.
O lugar era um ninho de ratos. Caixas de
pizza, copos e talheres sujos, papel e lixo em todo canto.
- Como alguém contrata
essa gente?
O Detetive não demoraria mais do que o
necessário, foi apenas uma questão de saber onde procurar e o que encontrar.
Havia um dossiê sobre Tóugǔ e o 14K dentro de uma caixa de pizza. Drogas,
tráfico de mulheres, mais do que o bastante para colocar o chinês na cadeia por
muito tempo, ou chantageá-lo por mais tempo ainda.
Não era preciso muito cérebro para juntar as
peças. Os Tweedy estavam na cola dos chineses por alguma razão, e a garota
Natalia havia acusado os irmãos de terem estado no apartamento de Lauren sem
autorização. Pensando no fato dela estar fazendo um trabalho por fora com os
irmãos gordos, não era difícil presumir que ela fosse um informante, e a garota
chinesa podia não ser diferente. Volgin pensou em tudo isso cada vez mais
centrado nas duas versões mais prováveis. Ou o chinês as matou quando soube que
eram traidoras, ou os gordos as mataram como queima de arquivo.
O telefone tocou. O Detetive levou um susto,
depois apenas parou e esperou a caixa de mensagem atender.
- Ei Bump, é o Debby,
cadê você? Vai me deixar fazer isso sozinho? Aquela puta gorda sem duvida esta
guardando as drogas do merdinha chinês, a gente invade aquela pocilga e pega
todos eles, não vai me deixar fazer isso sozinho não é?
Volgin sorriu.
***
Não demorou muito para o Detetive chegar a
“Taberna do Ogro”, e ao entrar não fora recebido com bons olhares. O grandalhão
barbudo se assustou quando o viu, Volgin já havia dado boas cicatrizes para o
homem. A bar tender, uma velha de meia idade e dona do boteco, Lily Ogre, engoliu seco. Suas atividades ilegais não
eram poucas e ter justamente o policial mais cruel para com os delinquentes da
cidade em seu bar certamente não era bom sinal e ela sabia. O outros poucos
clientes apenas abaixaram a cabeça e começaram a se retirar um a um.
Volgin caminhou até o balcão, fazendo o
homem careca e barbudo tremer ao seu lado e se encolher.
- Ah “Shalashaka”, a
que devo o prazer da visita?
- Não precisa ficar tão
nervosa Lily, não vim aqui prender você, e mesmo que viesse podíamos só nos
acertar como da ultima vez não? Sua filha é um doce de menina.
- Você disse que não
voltaria mais aqui – Lily Ogre quase não conseguia forçar as palavras a sair.
- Vai ver ele resolver
dar um pulinho para ver sua velha amiga Lily e seu marido White e dizer “Olá
como vão os negócios?” – um velho careca e de expressão muito dura encarava o
detetive com violência.
White Ogre era um velho irritado e violento.
Já fora um rabino, mas acabou por cair em desgraça ao matar um homem por uma
divida de jogo, após isso tentou se tornar importante no submundo, mas tudo que
conseguiu foi essa Taberna, que serve de deposito de drogas. Ele não ficou
muito feliz quando teve de entregar sua filha de 14 anos para o Detetive, a fim
de não ir para a cadeia.
- Hahaha! Não, mas é por
ai.
- Só que nós não somos
amigos.
- E eu não ligo pros seus
negócios.
- Se não somo amigos e
você não liga para os negócios, o que esta fazendo aqui?
- Bem – Volgin se
levantou do balcão – eu estou aqui porque nós não somos amigos, porque se nós fôssemos amigos eu não deixaria os gêmeos gordos acabarem com a vida de vocês
denunciando seu esquema de drogas com o chineses, ou até chantageando vocês.
Sabem uma das primeiras regras para mim é que amigos sempre protegem os amigos.
Os Ogre ficaram pálidos com as palavras do
Detetive, que sorriu ainda mais.
- A boa noticia para
vocês, é que minha amizade esta a venda. Vão me contar tudo que sabem sobre as
mulheres decapitadas. E isso, White, isso vai nos fazer amigos, e como amigos
fazem favores aos amigos vocês vão me fazer um favor.
- Por favor, diga qual
é o favor – disse Lily depressa demais.
- Vão me ajudar a
montar uma armadilha para pegar os balofos.
- Não vai precisar –
soou uma quarta voz.
Volgin sentiu o golpe em sua nuca cortar até
a carne e o sangue escorrer pelo pescoço, uma mão enorme o agarrou pelo colarinho
e atirou-o contra as mesas. O homem que estava bebendo encolhido fugiu, os Ogre
estavam em choque, o estranho ria alto, entretanto não durou muito.
O Detetive levantou dos destroços calmamente
e ajeitou seu sobretudo, como se nada tivesse acontecido.
- Você é mesmo um
animal “Shalashaska” – o homem gordo parou de rir nesse momento.
Se alguém conhecia a dor era o ex-Major
Volgin, um golpe como aquele não conseguia abalar sua estrutura.
- Hora, hora, o quem
nos temos aqui? Rolha de poço 1 ou rolha de poço 2? Será que eu adivinho?
No exato segundo em que terminou de falar
Volgin saltou contra seu agressor, segurando o Tweedy pelo pescoço e esmagando
suas costas contra o balcão. Tweendy se contorceu até conseguir chutas as
costelas do Detetive, fazendo-o se afastar. Lutando para recuperar o fôlego e
manter-se longe das garras de Shalaskaka, o gêmeo sacou um canivete, bem a
tempo de encravá-lo no ombro direito do inimigo, antes que ele o pegasse
novamente.
- Ahrrrr – gemeu de dor
e ódio o Detetive, que arrancou a faca do próprio ombro, e voltou a caminhar em
direção ao gordo.
- Fique longe, estou
avisando – Tweedy gritava enquanto atirava garrafas de vidro que estavam antes
sobre as mesas em cima de Volgin, mesmo assim não pode evitar ser alcançado.
O Detetive agarrou-lhe pelo colarinho com
ambas as mãos e o arremessou por cima do ombro contra a parede oposta. Tweedy
não teve tanta sorte em levantar-se rápido, dando a Volgin a chance de
ergue-lo, imprensá-lo contra a parede e enfiar o mesmo canivete em seu ombro
desta vez.
- E ai? Gostou
panaca?
- Vá se fuder
Shalashaska! – Tweedy fazia muita força para não chorar.
- Hora isso não foi
educado – Volgin esmurrou-lhe o estomago, depois aguardou até ele recuperar o
ar – Vamos recomeçar, qual dos patetas saído direto do “País das Maravilhas” é
você, Bump? Debby? – Ele sempre fora bom em ler as pessoas e suas reações, não
foi difícil deduzir – Ah então temos Debby, o caçulinha. Cadê o outro verme?
- Vai se...
Volgin acertou-lhe novamente.
- Se disser a palavra
“fuder” outra vez para mim vou cravar o canivete nas suas bolas, estamos
entendidos? Ótimo agora fala, cadê o seu irmão? Sei que vocês têm algo haver
com a morte das prostitutas do 14K. Deixe-me adivinhar, seu irmão cortou as
cabeças e você amarrou os lacinhos, não foi?
- Vá se danar, eu não
matei ninguém, eu estava em vigilância fora da cidade quando a primeira garota
fora morta, tenho as provas de onde estava e o que estava fazendo. Você esta
errado dessa vez “Detetive” – ele começou a sorrir.
- Hum, que engraçado,
você disse “eu” e não “nós”, o que quer dizer que seu irmãozinho não estava com
você não é? – o olhar de surpresa e medo foi o bastante para confirmar – Você
não sabe onde ele esta não é? Também esta procurando por ele! Estava preocupado
que o lixo do seu irmão tenha matado aquelas garotas, afinal vocês estavam
atrás do 14K, ele não lhe atendeu quando ligou, eu sei, eu estava lá, a
primeira garota era uma informante, a segunda devia ser também e elas sabiam
demais, então ele resolveu se livrar delas desse jeito doentio, faz sentido,
ele sempre deve ter sido um porco doente.
- Cale essa boca, meu
irmão nunca...
Um soco direto no queixo apagou todos os
sentidos de Debby Tweedy.
- Você não é mais útil,
já sei o que procurar, agora falta o onde – Volgin deu as costas e caminhou em
direção a saída – Lamento a bagunça Lily, mande lembranças a sua filha por mim,
qualquer dia desses eu venho matar as saudades.
***
J-Black ligou entusiasmado para Volgin,
enquanto este se dirigia para sua casa, balbuciando sobre outra cabeça com uma
fita roxa dessa vez. Agora era oficialmente um caso de assassinatos em serie. O
Detetive dispensou o amigo e a visita para nova cabeça, estava certo de que
seria mais uma puta do 14K ou alguma infeliz ligada com os negócios dos Tweedy.
Ele já tinha informações o bastante para se organizar, a pergunta agora era
como encontrar o balofo.
Volgin paralisou no instante em que colocou
os pés em casa. Ele sacou sua arma e apontou direto para a pessoa esparramada em
seu sofá.
- O que diabos você
esta fazendo aqui?
A garota Natalia espreguiçou-se e só então
olhou para ele. Usava nada além de uma calcinha e uma das poucas camisas limpas
camisas do policial.
- Precisava de um lugar
para me esconder, e como você me fez falar demais na boate nada mais justo do
que ficar aqui. Pensei que teria que arrombar a fechadura, mas a porta estava
aberta, não deveria deixar assim, pode ser perigoso.
- É, perigoso e
inconveniente – disse ao guardar a arma – cai fora.
Volgin atirou seu sobretudo na cama e
começou a se despir. Até ficar apenas de calça.
- Você esta sangrando –
disse ela.
- Eu sei.
- Tem que cuidar disso
ai.
- Já disse que eu sei.
- Não seja estúpido.
- Sai logo daqui.
- Não tenho para onde
ir – gritou ela – você me fez falar, agora aquele chinês nojento me expulsou e
eu não tenho nada, a culpa é sua.
- Own, espere vou
buscar um violino.
- Vai se ferrar seu
babaca.
- Já sei, um peru, te
mando um grande peru no natal é o que posso fazer, agora cai fora daqui.
- Eu não vou a lugar
nenhum, então se não vai em prender por invasão – a garota se levantou e
empurrou-o na cama – fiquei quietinho ai que eu vou costurar você.
- Eu estava esperando
outra coisa – ela foi em direção o banheiro e os olhos deles acompanharam seu rebolado
– talvez não seja tão ruim você ficar afinal.
Já havia quatro dias desde que Natalia
passou a morar com o Detetive. Ele ainda não havia conseguido levá-la para
cama, apesar dos esforços, contudo estava começando a desconfiar que ser
expulsa pelo chinês não era a única razão para ela ter fugido para o seu
apartamento.
- Achei que as garotas
do 14K tivessem seus próprios apartamentos, independente do Tóugǔ – perguntou o
detetive certa vez.
- E temos, mas não é
seguro para eu voltar para casa agora – foi tudo que ela respondeu.
Além de sua hospede Volgin ainda tinha de se
preocupar com Bump Tweedy, que ainda estava a solta e as pistas estavam
começando a esfriar. Ficar apenas vigiando o outro irmão roliço não iria
resolver muita coisa. Não houve uma quarta cabeça nos dias recorrentes, o que
significa que o merda Tweedy fugiu da cidade, que não resta mais ninguém para
matar, ou que ele ainda não conseguiu alcançar a vitima seguinte e essa era a
hipótese que não deixava a mente do Detetive, mesmo enquanto ele forçava a
filha dos Ogre a abocanhá-lo ao máximo, tentando curtir o momento.
***
Natália estava tentando não destruir o
almoço que se dispôs a preparar, porem esta parecia ser uma missão impossível,
em certo ponto ela desistiu e resolveu descongelar um dos pratos frios no
congelado.
Ao sair do banheiro, após o almoço, Natalia
planejava passar o resto do dia de “pernas pro ar”, esta vida de dondoca não
estava nada mal para ela. Quando as mãos lhe agarraram por trás ela, a
principio, achou que Volgin voltara e estava tem outra de suas tentativas de
levá-la para cama, mas as mãos eram gordas e apertaram-lhe o pescoço com uma força descomunal.
Natalia caiu ao chão e o gordo Tweedy montou
sobre ela.
- Vá pro inferno sua
puta! – gritou ele.
Ela
debatia-se por baixo dele, sentido o ar e a força abandonar seu corpo, seguidos
de perto por sua vida, e naquele momento ela sabia que iria morrer, não fosse
pelo tiro que Volgin disparou nesse exato momento na cabeça de Bump Tweedy.
***
- Vou te acompanhar até
em casa – disse o Detetive a Natalia assim que terminou todos os tramites
legais – você deveria ter me contanto que esta sendo perseguida por esse
psicopata.
- Imaginei que fosse
querer me usar como isca para pega-lo e eu não estava muito afim.
Eles chegaram em pouco tempo no apartamento
dela. Já estava começando a anoitecer e o por do sol pintava todo o céu de um
forte alaranjado.
- Tem certeza que ele
era o tal assassino? – ela ainda parecia muito nervosa, não era inesperado.
- Havia sêmen dele na
boca das vitimas, digitais nos locais de desova, era ele – ele deixou-a na
porta do apartamento – agora eu vou indo, se cuida garota.
Ele, porem, não se foi. Natalia o puxou pelo
sobretudo e o beijou, arrastando-o em seguida para seu quarto. Ele adorou a
pele clara e macia dela, tanto que não teve dó ao penetrá-la por mais de duas
horas, por onde quer que lhe desse prazer.
Ela dispensou sua companhia no banheiro e
foi tomar banho primeiro, talvez ela não tenha gostando tanto do sexo violento
quanto ele, mas isso pouco importava, pois Volgin já tinha o que queria, não é
como se fosse vê-la tão cedo outra vez.
Com sede o Detetive se levantou a procura de
algo para beber. Acabou abrindo uma porta que, esperava, levasse a cozinha,
entretanto acabou foi no closet, onde na parede havia três mascaras de
porcelana com formato de rostos, e em cada uma delas uma fita amarrada
delicadamente em um laço nas cores verde, rosa e roxo respectivamente.
- Santa merda!
A verdade atingiu Volgin como uma pedra e
nos intervalo menor que um segundo toda a história correu por sobre seus olhos.
Natalia sabia que Lauren fazia serviço extra com os Tweedy, poderia ter tentado
fazer o mesmo e descoberto o esquema de chantagem, eliminando as testemunhas,
as putas que falavam com os Tweedy do 14K, e incriminando um dos gêmeos idiotas
seria a resolução perfeita, ela ficaria com os documentos e com os chineses nas
mãos. A bagunça no escritórios dos irmãos deveria ter sido ela procurando os
documentos encontrados pelo Detetive.
- Não acredito que fui
tão idiota – ele tirou as máscaras da parede, eram sem duvida um molde dos
rostos das vitimas, o que explicava a substancia que ele reconheceu logo na
primeira cabeça.
“Shalashaska” poderia simplesmente
entregá-la a policia, mas isso faria aquele puto do Tweedy ser libertado, uma
idéia inaceitável, afinal ele podia até não ser o assassino, mas não deixava de
ser um verme que merecia aquele inferno. Seria mais fácil apenas desaparecer
com a psicopata, depois de quase ser morta qualquer um poderia pensar que ela
ficou traumatizada e resolveu deixa a cidade. Seja como for, ela precisa pagar,
ninguém faria Ivan Stepanovich Volgin de idiota.
Quando Natalia saiu do banho, completamente
nua, e caminhou até a cama deu de cara com as três máscaras e ao dar meia volta
foi esfaqueada varias vezes no estômago.
Era difícil para Volgin dizer o que se
passava em seus olhos pouco antes dela cair morta ao chão, talvez fosse
surpresa, ele não sabia, mas como ela não disse uma única palavra ele jamais
saberia.
- Agora só preciso me
livrar das evidencias.
Só que ele nunca teria a chance, pois havia
mais alguém no apartamento.
***
A cabeça de Natalia estava em cima da cama,
decepada, sobre uma possa de sangue. O corpo estava enrolado no chão, pronto
para ser carregado. Volgin estava despido, amarrado a uma cadeira enquanto o
mesmo garoto negro que ele viu ajudando Tóugǔ no 14K dias atrás guardava suas
ferramentas e comia algo que parecia ser uma fruta vermelha.
- Você? Tá de
brincadeira, o escravinho dos chineses? Mas que merda!
- Porque sou negro né?
Entendi a piada. Esta confortável Detetive Volgin? Ou prefere Major? Talvez até
“Shalashaska”?
- Cale essa bo...
O garoto negro socou-lhe a face com muita
força, fazendo o Detetive perder a voz e cuspir sangue.
- Você fala muita
merda, já te disseram isso? Bem, bem... ao menos você se provou útil, matou a
puta como meu empregador falou que iria e me poupou muito trabalho, não estava
exatamente nos planos incriminar o Tweedy pelas mortes, era para ter sido a
garota, mas nem tudo é perfeito...
- Plano? Empregador? Do
que esta falando? – Volgin forçou-se
falar, mesmo com as dores.
- Ele sabia de tudo, do
esquema da 14K, das garotas, dos Tweedy, de você. Nossa ele adivinhou quase
tudo que você iria fazer, foi um golpe e tanto não detetive? Não se sinta mal,
ele também sabia do meu ódio reprimido, e me escolheu para matá-las. Claro que
eu precisava de um drama então ele me ajudou com o plano para que eu não fosse
pego, assim eu me vingaria dos malditos chineses. Consegue entender né? Ela
mata as mulheres, você a mata, ou vai pra cadeia ou é demitido, ai bastava lhe
dar um sumiço, ninguém iria procurar um ex-policial desaparecido, e no fim, eu
faria parecer que ela trabalhava para o Tóugǔ e matou as garotas por ordem
dele, e o caso delas com os gêmeos seria a prova absoluta.
- Fizeram toda essa
merda só para me usar?
- Não... Hahaha... Você
se dá muita importância, não. Isso seria apenas um bônus, porque você é um
sujeito arisco, difícil de se lidar. Meu empregador apenas queria os corpos,
ele tem algo a alimentar, e precisa de funcionários. A vingança era minha, e
graças a seus deslizes vou ter que ligar os chineses as mortes usando mais essa
bela cabeça, tirando o gordo palhaço da cadeia por consequência, ou todo esse
teatro não terá servido de nada não é?
Volgin estava com a boca cheia de sangue e
não conseguia mais falar, mas ele sem duvida tinha muito a dizer.
- Não se sinta mal por
ter atrapalhado meus planos, não se preocupe, tem um jeito de você se redimir.
Vou te matar e deixar meu empregador te usar como adubo. Mas veja pelo lado
bom, ao menos você vai poder levar a sua cabeça para o inferno com você.
!!!


Volgin ??? De onde será que conheço esse nome... *-*
ResponderExcluir#AmoMetalGear.
Adorei a imagem final..
Espero que tudo tenha sido de seu agrado!
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