Titulo: O Homem que Vendeu o Mundo
Autor: John Doe
Anfitrião: James L Flinders
Categoria: Adulto
Anfitrião: James L Flinders
Categoria: Adulto
O
Homem que Vendeu o Mundo
James L. Flinders
John Doe
John Doe
A jovem abriu os olhos
e por um momento achou estar cega. Não era verdade, mas apavorou-a mesmo assim.
O teto era muito escuro, o chão ainda mais. A única luz vinha de uma velha e
fraca lâmpada empoeirada no canto esquerdo do quarto. A lareira estava apagada,
a estante a direita repleta de livros destruídos e queimados, o criado mudo e a
mesa arruinados, um abajur quebrado e o carpete rasgado e empoeirado, para
dizer a verdade tudo estava sujo ali, apenas o sofá onde a garota, que não
deveria ter mais de treze anos, parecia ter sido utilizado em décadas.
Ela, qual era mesmo seu nome? Heather. Por
um instante não conseguiu lembrar. A menina removeu as mexas suadas de seu
cabelo loiro da frente dos brilhantes olhos azuis, e só de toca-los, reparou
que alguém os havia cortado, curtos demais, degranados e sem qualquer intensão
de manter um padrão, uma mutilação.
Heather estava com medo, estava apavorada e
cada musculo do seu corpo estava tremendo, mas não havia desejo de chorar, de
gritar ou mesmo de chamar por alguém. Sua mente estava lucida, até demais.
Ricardo, ou Chico, como era chamado o irmão
de Heather teria feito, nesta situação, tudo aquilo que ela achava que deveria
fazer. Ele sempre tinha o costume de bancar de valente, enfrentando os outros
garotos, andando para todos os lados com seu walkman retro, ouvindo fitas de
musicas que ele mal consegui entender o significado. Chico era respeitado por
praticamente todo mundo. Mas Heather sabia que ele se apavorava muito fácil.
Por alguma razão ela sorriu ao lembrar-se do irmão, e agradeceu por ele não
estar aqui com ela.
Vanessa, a mãe de Heather, não parecia com
ela. Tirando a pele clara tudo nelas era diferente. Sua mãe tinha o rosto fino,
era bem magra e tinha voz firme, por mais que fosse de fato um ser muito suave,
ao ponto de tornar-se muito lenta para entender as coisas. Ela estaria sem
duvida encolhida no exato lugar onde acordou, pedindo ajuda ao vento e fechando
os olhos até que alguém viesse ajuda-la. Se ninguém estivesse a caminho, ela simplesmente
morreria de fome sem nem sair do lugar.
Huye, seu pai, também não se parecia com
ela. Cabelos e barba escuros, porte mediano. Um homem bonito, talvez por isso
fosse tão difícil ser um pai presente, as mulheres não deveriam lhe dar
sossego. Não que ela fosse se importar a essa altura. Sempre fora assim. Ele,
nesse lugar, estaria tentando arrombar a porta no fim do cômodo.
Heather levantou-se do sofá e cambaleou ao
fazê-lo. Alguém sem duvida a acertou em cheio na cabeça, pois isso explicava,
além da terrível dor na mesma, a falha em suas memorias. Sua camisola roçou por
seus joelhos, fazendo cocegas, o que de fato a ajudou a manter o equilíbrio.
Assim que foi capaz de dar alguns passos ela
caminhou até a porta do outro lado da sala. Estava descalça e seus pés doíam.
Obviamente a porta estava trancada e forçar não resultaria em nada, ela não
tinha forças o bastante para derruba-la. Achou melhor deixar de lado e começar
a procurar um outro meio de sair.
Não haviam janelas e estava frio. Observando
direto, acima da lareira, havia um ar-condicionado, novo demais para pertencer
a um lugar daqueles, e parecia funcionar. Energia havia, ou a lâmpada não
estaria acessa. Em algum lugar havia alguém mantendo esse lugar vivo. Essa
pessoa viria por ela cedo ou tarde. Heather tinha de se proteger, então começou
a procurar.
Nada útil estava a mão, no canto escuro o
único móvel a mais era uma bancada onde havia uma televisão. Ela tentou ligar,
obviamente sem sucesso. Na gaveta da bancada havia apenas um Walkman e cinco
fitas cassetes. De inicio não parecia nada demais, até Heather reconhecer
aquele como sendo o objeto favorito de Chico.
Pela primeira vez desde que acordou um
sentimento novo tomou posse dela e muito hesitante ela apanhou o objeto,
colocou-o em seu ouvido e pôs para rodar a primeira fita.
***
Fita 01
- Qual o problema? Não consegue falar? Eu imagino o porquê será disso.
Hahaha. Desculpe, não resisti, às vezes eu faço essas piadas sem graça. Só eu
rio delas...................... Sei que são ruins, mas não precisa só por isso,
precisa?................................................................. Todo
mundo reclama, grita, esperneia. Mas você não vai fazer isso não é querida?
Hahaha. Não faria nem se quisesse. Não vai poder gemer quando eu sugar seus
seios pequeninos, ou quando eu a rasgar por dentro. Uma pena, até que gosto dos
gemidos e dos gritos nessas horas. Mas não posso estragar o produto então vou
ter que me contentar com suas lagrimas. Isso não é
bonitinho?...........................................Os medicamentos já estão
trocados. Logo deveremos ter melhores resultados. Agora é só
esperar.................... Esta pronta? Vamos começar
então.........................
***
Os sonos continuaram por um bom tempo. Sons
baixos e frenéticos. Horríveis e claros sobre o fato que estava sendo consumado.
Heather porem não retirou os fones até a fita terminar. Enquanto os sons
crepitavam e ecoavam pelo recinto, flashes cortavam a mente dela como navalhas
afiadas. Imagens inconspícuas, um sorriso, mão furiosas, deleite e raiva,
monitores, cortinas brancas, como em um hospital. O estranho é que, apesar de
saber, de realmente conseguir entender pelo que ela havia passado, não sentia
isso. Enxergava tudo de longe, uma espectadora sem eu próprio pesadelo.
Ela podia ver a si mesma bem longe de onde
seus olhos estavam. O ela que assistia não se movia em socorro de sua outra eu.
A dor das imagens era voraz e forçou-a a apertar sua cabeça, puxar os cabelos e
até implorar pelo alivio, que eventualmente chegou. Depois respirou fundo e
olhou outra vez para o desolado quarto. Forçou-se a livrar-se de um terrível
pensamento que não a queria largar. Quem quer que houvesse sido gravada naquela
fita estava ali, naquela casa. Por mais que tentasse a garota não conseguia se
livrar daquele pensamento. E pior ainda, sua mente estava tentando dizer quem
seria aquela na fita, mas ela não queria aceitar.
Pensou ter sentido receio ao pegar a próxima
fita e colocar no Walkman, mas foi apenas sua impressão. Sua mão estava tão
firme quanto antes, o pânico ainda estava sob controle. Portanto ela deu play.
***
Fita 02
- O paciente parece estar resistindo bem às novas medicações. O
carregamento foi entregue a pouco e a droga não esta sendo rejeitada. Talvez já
seja hora de passar para fase dois ............................... Tem certeza
que é necessário mais testes? Esta muito difícil de arranjar cobaias realmente
produtivas. Raptar é muito arriscado, pessoas da rua, prostitutas ou catadores
de lixo não são bons para esse tipo de operação, e aqueles dispostos a vender
estão cada vez mais em falta ........................ Sim nós já temos três
deles. Vieram a pouco. Vão ser muito uteis já que os últimos acabaram se
mostrando um fracasso ................. Não tenho duvida de que nossos clientes
estão ficando impacientes, mas ........... Tudo bem senhor, vou acelerar o
passo o melhor que puder, contudo isso não muda o fato, estamos com poucas
cobaias saudáveis ............ Sim senhor, até mais!
***
Esta fita fez pouco sentido para Heather, mas
causou-lhe dores de cabeça ainda maiores, gemeu de dor, mas mordeu o lábio para
calar-se. Um garotinho corria por um jardim, uma garotinha de curtos cabelos
olhava assustada para o homem a sua frente e esperava pelo castigo violento que
ele aplicaria sobre seus pecados, lagrimas de choro e raiva violentavam os
olhos apreensivos da jovem. O homem gritava, aos poucos a criança parava de
chorar e apenas olhava para ele , o mais profundamente que podia.
Heather caiu de joelho, mordeu o lábio com
tanta força que o cortou. O walkman caiu no chão, o corpo dela a seguiu. Por um
instante achou que fosse morrer. O rosto da garotinha e do homem alto repetia
em sua cabeça enquanto o chiado da fita sumia ao longe.
Levou um segundo, mas ela conseguiu se por
de pé. Sua boca agora ardia e tinha gosto de ferro. Quase que hipnoticamente
ela caminhou até o Walkman e o tirou da poeira e o limpou.
Ela colocou a terceira fita nela.
***
Fita 03
???
***
A terceira fita não possuía nada mais que
estática, um chiado pavoroso que perturbou ainda mais a mente frágil da garota,
que parecia querer se romper. Esse som fora o bastante para lhe mostrar os
olhos de desprezo de sua mãe, o sorriso carinho de seu pai ao olhar para a
menina, mas não ela, a outra menina, com os cabelos compridos, sempre
sorridente, sempre amada.
Rapidamente ela trocou a fita no aparelho,
chorando horrores. Heather hesitou, não tinha certeza se queria realmente saber
o que estava ali, ou mesmo se seu corpo aguentaria mais uma leva de imagens.
Mas o que mais poderia fazer?
***
Fita 04
- As drogas já estão empacotadas e as cobaias logo darão uma resposta,
querendo ou não - *risos* - e quanto a você, esta satisfeito com nosso acordo?
-
Eu estava me perguntando se você era mesmo confiável, podia ter me feito uma de
suas cobaias se quisesse.
-
Sou um homem de palavra meu amiguinho. Trato é trato. Ademais sua irmãzinha e
sua mãe me serviram muito bem, foi delicioso.
-
Não quero saber dessas asneiras, nem sou seu amigo, só quero acabar com isso
e...............
-
Ei garoto? Você esta bem?..........
***
O som
que cortou a segunda voz na fita foi alto e explosivo, uma voz familiar fez
Heather tremer. Ela reviu a si mesma na cama, seus olhos foram de seu corpo
estático para o homem a sua frente, não aquele que lhe bateu, e sim o dono da
voz na fita, ela podia vê-lo em sua mente agora. Sua boca se abriu, mas fora a
voz de Chico que ouvira.
Os flashes pararam tão bruscamente quanto
começaram, ela demorou a perceber que a causa fora o golpe que desferia com a
própria cabeça na parede de livre e espontânea vontade.
A ultima fita começou a tocar sozinha. Ela
não se lembrava de tê-la posto no Walkman. Ela observou o objeto com espanto
até que a musica começou a tocar.
***
Fita: “The Man Who
Sold The World”
By: Midge Ure
We passed upon the stairs, we spoke in was and when
Although I wasn't there, he said I was his friend
Which came as a surprise I spoke into his eyes
I thought you died alone, a long long time ago
Oh no, not me
we never lost control
You're face to face
With The Man Who Sold The World
I laughed and shook his hand, and made my way back home
I searched for form and land, for years and years I roamed
I gazed a gazely stare, we walked a million hills
I must have died alone, a long long time ago
Who knows? not me
I never lost control
You're face to face
With the Man who Sold the World
Who knows? not me
We never lost control
You're face to face
With the Man who Sold the World
Although I wasn't there, he said I was his friend
Which came as a surprise I spoke into his eyes
I thought you died alone, a long long time ago
Oh no, not me
we never lost control
You're face to face
With The Man Who Sold The World
I laughed and shook his hand, and made my way back home
I searched for form and land, for years and years I roamed
I gazed a gazely stare, we walked a million hills
I must have died alone, a long long time ago
Who knows? not me
I never lost control
You're face to face
With the Man who Sold the World
Who knows? not me
We never lost control
You're face to face
With the Man who Sold the World
***
Então tudo voltou a ela, toda a verdade.
Sorriu sem poder evitar.
A porta da sala se abriu. O homem gordo de
suas visões, o dono da voz na fita, abriu a porta e olhou direto para ela, que
o encarou friamente.
- Você acordou. Foi uma
bela pancada a que levou. Achei que talvez não fosse levantar mais - disse ele
- o que esta ouvindo ai?
- Minha musica favorita.
A voz que respondeu veio da boa de Heather,
mas era de fato a voz de Chico. Exatamente como ela se lembrava.
Ambos saíram do aposento e caminharam até
uma espécie de quarto de hospital improvisado, onde Hyue, Vanessa e Heather
estavam em coma induzido, com drogas sendo injetadas em conta gotas por suas
veias. Era possível ouvir a respiração deles. Cortinas brancas, mesmo que
imundas, preenchiam o ambiente. O local estava tão imundo, velho e escuro
quanto o quarto no qual estivera.
Ao ver irmão e irmã próximos novamente o homem
gordo riu.
- Sabe garoto eu já
perguntei antes, mas me explica outra vez vai, porque virar sua irmã?
Chico respirou fundo, afastando rapidamente
as lembras das surras de seu pai cada vez que o pegava vestido de menina, dos
olhares de desprezo de sua mãe, e das carias que Heather sempre recebia de
ambos, voltou-se par ao homem e cuspiu.
- Não te interessa.
Minha família pela grana e a cirurgia. Só isso que precisa saber.
- Como quiser garoto.
Mas precisa dar um jeito nessa sua voz, ou ninguém vai acreditar que você é sua
irmãzinha.
- Como eu já falei - e
desta vez foi a voz de Heather que saiu - você não precisa se preocupar comigo.
Chico caminhou até o canto da sala, apanhou
uma mochila, colocou o walkman para tocar sua musica outra vez e deixou o
quarto.
!!!


Eu gostei viu :) pra vc dizer que eu não li seu chato. bjs
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