Titulo: Nas Águas da Sereia
Autor: John Doe
Anfitrião: James L. Flinders
Anfitrião: James L. Flinders
Categoria: Adulto
Nas
Águas da Sereia
James L. Flinders
John Doe
John Doe
- Eu imagino o que será
que acontece quando você afunda. Digo, qual será a sensação, a sensação do seu
corpo. Será leveza? Seria possível ser leveza?
Para ser honesto eu não percebi que estava
fazendo essa pergunta e voz alta. Vai ver é o frio, alegre aroma doce que a
noite gelada joga em suas narinas, junto a uma ardência incomoda, mas só de
inicio.
Vai ver estou conversando com a agua negra
ao invés do frio, porem ela também deve estar congelando, então será que existe
uma diferença realmente?
Quem sabe então à noite? Não há estrelas,
netão não poderiam ser elas, mas tem nuvens. Posso estar perguntando as nuvens
não?
- Se bem que... Como
exatamente as nuvens saberiam a sensação de afundar se elas flutuam? Não faz
nenhum sentido.
Então se não estou falando com o frio, a
agua, o céu ou as nuvens, o que exatamente estou fazendo num píer em plena
madrugada numa noite de temperatura próxima do nulo? O mesmo que sempre. Eu vim
vê-la, como tenho feito a anos.
E para quem estou narrando tudo isso? Seja
em meu silencio ou fora dele?
- Quem liga? - gritei
ao vento.
Tudo que eu tenho de fazer, tudo que eu
quero, tudo que eu mereço é ficar aqui aguardando, esperando ter um vislumbre
dela, esperando que ela comece a cantar, porque ela vai. Às vezes leva semanas,
às vezes poucos dias, mas ela sempre canta para mim.
***
O apartamento ficava na periferia da
cidade.
Havia um porteiro adolescente durante a
noite, quando não estava dormindo, estava com uma outra jovem com um cérebro
ainda menor que o dele trancados na sala dos funcionários. As portas sempre
estavam abertas a noite.
Não haviam muitos moradores nesse lugar, e
dos existentes, ainda menos eram conhecidos por mim.
Nunca dei-me o trabalho de verificar
qualquer outro andar que não o quarto, o meu andar. Apenas dois moradores, isso
a contar comigo. Meu vizinho era uma velha que parecia ter esquecido a hora de
morrer, o que em nada parecia afetar seu bom humor. Todas as noites em que me
via cumprimentava-me.
A neta que vivia com ela, uma moça de
dezessete anos e muito bonita, por sua vez, não gostava muito de mim. Ou de
qualquer outra coisa dentro deste prédio, incluindo a avó.
Desta
vez não houve cumprimentos.
Meu apartamento esta escuro. As Corujas
empalhadas pareciam olhar-me atentamente. Eu sempre sorria ao pensar nisso. Era
bom ter a companhia. Uma forma de matar a solidão enquanto espero ela voltar ao
cais.
Troquei minha roupa, tomei um banho e
preparei uma refeição descente. Pouco prestei atenção nos programas na
televisão, deixei de me interessar por tal, penso que ligo o aparelho apenas
por costume, ou para que haja algum som. As aves estão sempre quietas.
- Talvez eu devesse
arranjar uma viva para variar. Vou pensar nisso.
Decidi que tornaria ao píer amanhã e levaria
a espingarda comigo. Haviam diversos ninhos de aves noturnas na região. Vou
tentar pegar uma viva desta vez, mas não farei promessas.
Eu sonhei esta noite.
No sonho eu podia voar, a luz e as nuvens
eram uma paisagem comum, o vento frio da noite incentivava meu passeio, e o mar
refletia minha imagem logo abaixo.
Entretanto meu desejo estava longe dos céus,
estava na água. Por mais que eu tentasse mergulhar, era impossível. Nenhuma
única gota d’água espirrava em meu corpo.
Eu sabia, tudo que eu jamais poderia fazer
seria observa-la, sem nunca ser capaz de sentir seu toque novamente.
Acordei coberto de suor e com a respiração
frenética. Hoje a noite haveria caçada. Esta seria a noite, e iria acontecer de
novo, e de novo.
***
Eu sempre gostei de Corujas, fascinantes
animais, sempre com um ar de contemplação, a observar tudo o que é realmente
importante. Por isso gosto de pensar em mim como um deles. As semelhanças são
diversas. A começar pela noite. São aves noturnas. Eu também só caço a noite.
“Crismmon Seed”, parece um nome saído desses
jogos de aventura nos quais as crianças de hoje se perdem e eventualmente
esquecem que existe um mundo fora da tela de um celular. Bom essa boate é um
atrativo para fisgar nerds e traze-los para o mundo, apenas para extorquir
deles tanto quanto os jogos.
Aqui garotas vestem fantasias sensuais de
personagens fantasiosas, seduzem os tolos a consumir e por fim, pelo valor
certo, os providenciam com prazeres que vão muito além do jogo.
Como sei de tudo isso? Qual o melhor lugar
para se pegar uma presa? Outra coisa que as corujas sabem bem. Você deve pelas
onde estiveram mais tranquilas, coma guarda baixa e de preferencias entre
outros da mesma espécie que sintam o mesmo que você. Por isso é muito fácil
fazer amizade com esses homens, faze-los beber cada vez mais e por fim
convence-los que a garota mais linda do mundo está esperando por eles no cais,
e que não vão se arrepender.
Nunca levo apenas um, esse ficaria
apavorado, ou se recusaria a sair com um estranho. Mas se você esta
acompanhado? Um ou dois amigos com você? Hora afinal que ousaria tentar algo?
É assim que a coruja convida o rato para
jantar.
Quando os levo até o cais, dentro de suas
mentes, sou apenas um cafetão querendo grana e oferecendo mulheres a eles. O
que chega a ser ridículo, pois é absolutamente o inverso disso. Quem domina as
coisas aqui é a mulher e eu apenas faço o que qualquer homem decente deve
fazer. Presto homenagem a sua beleza e provejo para ela sua sobrevivência.
O primeiro é sempre muito fácil. Você
corta-lhe a garganta por trás com uma adaga, um item de colecionador, bem
afiado. Nesse caso vá sempre pelo amis forte. Quando o segundo se dá conta do
que aconteceu ele o pânico e o medo se manifestam antes de qualquer outro
sentimento. Então você crava suas garras nele, esfaqueando varias vezes. Por
isso, quando são apenas dois, tudo esta acabado, muito rápido, muito simples.
Entretanto, havendo um terceiro, ele vai
lutar. É ai que você deve estar preparado, que seus instintos devem se provar
superiores. Vai haver guerra, você vai se machucar, mas tente se lembrar. Você
está sóbrio, ele não.
Seja como for, quando terminar, eles estarão
mortos, com seus corpos jogados afundando na baia, e será você a receber a
recompensa, no instante em que os olhos dela brotarem da água.
Claro que nem sempre o dia é do caçador,
quando assim acontece também é simples. Basta pagar uma dessas garotas, revelar
seu desejo de sentir a brisa do mar e leva-la ao cais para o que deveria ser
algo fugaz. Pobres almas, tão tolas, tão simples, mesmo assim tão abençoadas.
Afinal quantos podem dizer que irão existir para sempre dentro da criatura mais
bela já viva?
Pois é isto que faço esta noite.
Por um breve momento penso em realmente me
deitar com a garota antes de cortar-lhe a garganta, falta-me determinação
porem. Perto da minha sereia qualquer outra mulher é irrelevante.
Atiro o corpo da jovem ao mar. A água negra
faz desaparecer qualquer rastro do sangue vermelho vivo e engole o corpo em sua
escuridão. Eu, por minha vez, aguardo até que as sutis vibrações comecem. Você
de fato não consegue ver nada. Ela é muito mais rápida e suave do que qualquer
predador. E uma vez alimentada ela finalmente revela-se para mim.
Sua calda plana tranquilamente pela
superfície. Seus cabelos, de uma cor desconhecida aos homens, escorre pela
delicada mistura de pele e escamas. Seus olhos brilham na luz como os de um
lobo, ou uma coruja. Esse pensamento me faz sorrir. Os lábios dela são muito
humanos e de perfeita forma.
A sereia vem até a borda do píer e eu
sento-me para ouvi-la. Ela fala-me algo que jamais entenderei, mas cada uma de
suas palavras tem um tom musical, como sinfonias diversas, que variam de acordo
com seu humor e sentimos, esta noite senti que ouvia “Per Elisa” enquanto ela
falava.
Quando esta próximo a hora de partir ela
estende seus braços para fora d’água, eu desço até estar em seu alcance,
envolve meu pescoço com eles, inclinando para fora e revelando seus seios
completamente lisos, e finalmente beija-me, um toque tímido a principio, e
voraz ao final. Nesse momento ela parece que irá devorar-me, e eu desejo que o
faça.
Não existe mais bela sensação neste mundo,
mais doce e poderoso momento. Eu daria tudo para que durasse para sempre, pois
quando ele termina a tristeza me domina, e mais uma vez tenho de vê-la partir.
Visitarei o píer todas as noites após isso,
esperando um sinal de sua fome, pelo tempo que for preciso, até que enfim
chegue o momento de arranjar-lhe nova oferenda e ser agraciado com seu amor
mais uma vez.
- Um beijo por uma
vida.

Uai.. uau. Nossa que profundo
ResponderExcluirMuito intenso. Realmente sua mente não tem limites. Parabéns eu amei.
ResponderExcluirposso dizer que essa parte " Meu apartamento esta escuro. As Corujas empalhadas pareciam olhar-me atentamente. Eu sempre sorria ao pensar nisso. Era bom ter a companhia. Uma forma de matar a solidão enquanto espero ela voltar ao cais." é inspiradora.
ResponderExcluirParabéns!