Titulo: O Corpo do Anjo
Autor: John Doe
Anfitrião: James L Flinders
Categoria: Adulto
Anfitrião: James L Flinders
Categoria: Adulto
O
Corpo do Anjo
Especial
de Halloween
James L. Flinders
John Doe
John Doe
Fani Rawen conheceu
Dean Sagas num show de rock há cinco anos. Dean usava cabelos bagunçados e
empinados, barba mal feita e vestia-se como um motoqueiro dos anos 50, abusando
do preto. Ele facilmente chamou a atenção da jovem que, após testemunhar um ano
de namoro meloso entre sua melhor amiga Emily e o encantador Broly, mal podia
esperar para se apaixonar. A aparência não foi um ponto forte para Dean, e até
sua personalidade era duvidosa, sempre com uma gracinha na ponta da língua.
Fora certa medida entre inocência e um ótimo
senso humor que ganhou o coração da moça.
Dean Sagas conheceu Fani Rawen num show de
rock há cinco anos. Quando seu velho amigo de infância, Broly, o chamou para
conhecer a melhor amiga de sua namorada, ele ficou receoso. Fazia mais de três
anos que ele estava fora, estudando no exterior, e finalmente voltara, só que,
com um coração partido. Apesar da aparência de valentão, Dean era um
grandessíssimo covarde e com baixa auto-estima, portanto quando viu a linda
Fani Rawen com seus longos e ondulados cabelos cor de café, seus lábios
rosados, os seios mais fartos que ele já vira na vida, e um corpo estrutural,
ele entrou e pânico pela certeza de jamais ter chances com uma mulher como
aquela. Acabou fazendo diversas tolices e estragando o clima da situação todas
as vezes que pode. Ele quase não acreditou quando ela o beijou, e nunca foi tão
grato por ter uma namorada como é agora.
Emily Thomas conheceu Broly Willams em um
parque de diversões seis anos atrás, desde então esta apaixonada. No momento em
que o viu ela imaginou que ele fosse uma ilusão. O jovem tinha quase dois
metros de altura conjurados num corpo definido no ponto exato, sua pele era
clara e lisa, sem sinais de pelos, barba ou espinhas, seus cabelos eram negros
e escorriam até a base do pescoço, fazendo-o parecer um semi-deus grego. Toda
essa beleza era completa com uma personalidade gentil e protetora. Emily tremeu
ao falar com ele pela primeira vez, quando o mesmo se desculpara por esbarrar
nela e a convidou para tomar um sorvete. Sua amiga Fani a obrigou a ir, se não
tivesse feito ela provavelmente teria perdido a oportunidade e se arrependeria
para sempre. Broly a beijou nesse mesmo dia e ela jamais quis ser beijada por
outro desde então.
Broly Williams conheceu Emily Thomas em um
parque de diversões seis anos atrás e sentiu o coração vibrar no instante em
que esbarrou nela, mesmo antes de tê-la visto. Ele ficou encantado com a moça,
que parecia tão bela e tão frágil. Ela tinha uma pele tão clara quanto à dele,
mas seus cabelos eram mais claros, curtos ao meio do pescoço, era magra porem
esbelta, uma verdadeira jóia entre as mulheres.
Ambos estavam totalmente vestidos de preto,
e Broly, como um bom estudante de história, culturas e religiões, não pode
deixar de apreciar a coincidência e, por alguma razão, após começarem a
namorar, ambos sempre vestiam camisas pretas para combinar.
***
O Aniversário de Fani estava próximo e Dean
chegou ao ápice do nervosismo com a ocasião.
- Ah, mas que droga, o
que eu vou fazer?
- Pelo amor de Deus,
todo natal e aniversário é a mesma coisa.
- Qual é Broly, até
parece que é fácil, estou com ela há cinco anos, já dei tudo que podia. Vai
dizer que você sempre sabe o que dar a Emily?
- Acredite amigo, você
nunca deu tudo que podia, e não, nem sempre eu sei, mas não fico me
descabelando por isso.
- Tem que ser algo
especial, algo grandioso.
- Você me ignorou
completamente não foi?
Broly e Dean eram amigos desde os seis anos
de idade. Foram separados por um tempo, quando Dean saiu da cidade para estudar
Medicina, e Broly começou suas excursões pelo país para aprender mais sobre a
história e os pontos turísticos de toda região.
- Dean, essa viagem vai
ser um belo presente, não precisa se preocupar tanto.
- Eu sei, mas uma
viagem e nada mais físico, palpável, para guardar? Não parece meio...
- Parece muito, isso
sim – Broly foi até o amigo e o segurou pelos ombros – Você escolheu o destino,
você escolheu a rota, você preparou tudo para a viagem e economizou uma pequena
fortuna para ela. Isso é o que conta.
Dean suspirou fundo e sorriu.
- Obrigado velho amigo,
você sabe como me acalmar.
- E vice-versa. Além do
mais você preparou um excelente presente para ela guardar.
- Preparei?
- Claro que sim! Você
preparou para ela aquela gargantilha de ouro branco que esta em cima da bancada
e que custou uma boa grana para o seu grande melhor amigo.
- Do que você...
Dean pareceu confuso, mas ao olhar para o
criado mudo do quarto que eles dividiam na republica, ele viu uma caixa de jóia
aberta, com uma bela gargantilha em formato de corrente.
- Não! Você não fez
isso!
- Claro que fiz.
Dean abraçou forte seu amigo.
- Ah cara! Obrigado,
nem sei como agradecer.
- Por nada, mas pode
começar me pagando os 600 que custou a gargantilha.
***
- Acha que esse vestido
é muito vulgar? – perguntou Fani ao se admirar contra o espelho, tentando
decidir se o vestido preto de saia curta era curto demais.
- Qualquer coisa fica
vulgar em você.
- Obrigada Emily, você
sempre sabe o que dizer para me animar.
Ela realmente estava lisonjeada. Fani sempre
fora estupidamente bela e adorava abusar do que possuía. Sua amiga sabia bem
disso e não lhe poupava elogios.
- Você também deveria
escolher algo novo, mais sedutor, não que eu não curta esse lance de vocês de
sempre combinar no preto, mas ser um pouco mais sexy não fará mal eu garanto.
- Você garante coisa
demais Fani, contudo pode ter razão desta vez, acho que não custa deixar Broly
um pouco mais animado.
- É assim que eu gosto
– ela puxou Emily e a apertou – então vamos começar a despir você e colocar
algo bem mais provocante, podemos até usar a maquiagem que você me deu para te
enfeitar um pouquinho, afinal essa viagem tem que ser um arraso, já que meu
amor que esta planejando tudo.
- Porque será que tenho
a impressão de que o meu amor esta envolvido nesse planejamento?
- Você acha? Eu tenho
certeza.
Elas riram muito nesta noite.
***
Era quase oito da manhã quando todos eles se
reuniram na véspera do aniversário de Fani. O grupo deveria chegar ao destino
pouco antes da meia noite, um incrível hotel no litoral com cassino, SPA e uma
magnífica vista para praia, um local ideal na mente de Dean para se ter uma
noite fervente com sua mulher.
Fani estava deslumbrante num vestido carmim
de saia curta com um enorme decote, que fazia seus seios parecer que iriam
saltar para fora.
Fani sempre deixava os homens conturbados,
mas foi a beleza de Emily que cegou Broly, e até Dean pareceu surpreso. Ela
vestia preto, uma blusa que deixava nua as costas e era bem justa, disfarçada
por babados bem colocados, também usava uma saia de prega verde escura que
exibia suas pernas envoltas numa meia calça ,que mais parecia feita de fitas
enroladas em sua pele.
- Você esta
deslumbrante – disse Broly ao tomá-la nos braços.
- Você então nem se
fala – Dean também precisava agradar sua mulher.
Eles jogaram as malas no carro, que não era
tantas quanto Fani queria, mas sem duvida voltariam bem mais cheias.
- Feliz Aniversário –
todos deram a ela e a abraçaram com força.
- Quero meus presentes.
- Caramba, ligeira você
ein? – Broly não sabia se deveria rir, mas estava rindo mesmo assim
- Melhor acabar logo
com isso e curtir minha viagem, portanto só falta você Broly, Emily já me deu o
meu presente ontem à noite.
- Muito bem, aqui esta
– Broly lhe entregou um embrulho pesado
Fani abriu o presente com uma velocidade
tremenda. Era uma pedra com vários desenhos cravados.
- O que diabos é isso?
– exclamou.
- Ah isso é uma replica
de uma pedra Inca, uma tribo indígena da América do Sul, uma peça fabulosa não
acha? Então gostou?
- Você me deu um peso
para papel?
- Não diga isso, a
história sobre esse desenho...
Ela então atirou a pedra no gramado.
- Eu pego quando
voltar.
- Ah! O desenho
indígena! – gritou Broly em tristeza – Eu sabia que você não iria gostar. Por
isso tenho um backup – ele atirou para ela uma deslumbrante langeri vermelha
embrulhado em plástico transparente, sutiã, calcinha e meia calça inclusa.
- Agora sim eu adorei.
- Imaginei, mas é uma
pena, a replica...
- Vamos embora – gritou
Fani
- Isso – Dean a seguiu.
- Sua amiga não é muito
gentil.
Emily apenas sorriu e beijou o rosto de
Broly.
***
Eles seguiram a estrada sem paradas até o
começo do por do sol, quando finalmente Dean entregou a gargantilha a Fani numa
linda paisagem desértica, com a estrela de fogo a se pôr atrás deles. Ela
parecia muito feliz, saltou sobre seu pescoço e o beijou com vigor.
Não muito depois eles tiveram que parar
outra vez para abastecer, apesar desta falta de gasolina não estar nos planos.
Um problema na auto-estrada acabou obrigando Dean a tomar um cominho diferente.
Broly tentou ajudar nas direções, mas eles não tiveram muita sorte.
- Vamos tentar não nos
demorar muito, não estou gostando da aparência desse lugar – Emily era a mais
nervosa.
O Posto era meio abandonado e tinha alguns
caminhões estacionados. Broly e Dean foram até o caixa liberar as bombas e as
garotas foram ao banheiro.
- Você esta nervosa
demais Emily, relaxa.
- Estamos perdidos,
como pode estar tão calma? É sempre assim que começa aquelas histórias clichês
de assassinos psicopatas, ou loucos mutantes ou...
- Ah você esta me
entediando.
- Só acho que devemos
ter cuidado.
- Seu namorado esta
aqui também, acha mesmo que alguém vai se meter a besta com ele?
Essas palavras foram o suficiente para
acalmá-la por enquanto, não durou muito porem.
Havia três homens esperando por elas assim
que saíram do banheiro, pareciam caminhoneiros. Eram malvestidos e cheiravam a
charutos, cerveja e desodorante.
- Olha só, achei que
meus olhos estavam me pregando uma peça quando vi duas deusas entrando nessa
espelunca, quem diria que era real – falou um dos homens, um dente de ouro
brilhava em sua boca.
- Escuta aqui seu
panaca, nossos namorados estão aqui e não vão querer irritar-los, bem pelo
menos o dela não – Fani parecia não ter medo, ou ao menos era o que pensava
Emily, mas ela estava suando.
A situação parecia surreal, algo assim só
acontece em filmes B e documentários, então elas vão conseguir sair dessas.
Isso era tudo que Fani pensava para juntar coragem.
- Deusas que nada –
disse o barbudo de camisa xadrez. Ele segurou o braço de Fani e apertou forte –
essa puta é de carne e osso.
- Socorr... – Fani
tentou gritou, mas o homem acertou-lhe o estomago com um soco que a fez perder
o ar.
Emily quase gritou também, porem o terceiro
homem, com o cabelo comprido, agarrou-a e tampou-lhe a boca.
- Melhor ficarem
quietinhas, assim acaba mais rápido e vocês se divertem – o homem com dente de
ouro enfiou sua mão por sob a saia de Emily e apertou-a com força, afastando o
tecido de sua calcinha e violando-a com seus dedos – Você é apertadinha, acho
que vou ficar com você primeiro.
O homem barbudo aproveitava-se da fraqueza
de Fani para colocar seus seios a mostra enquanto abocanha-lhe os mamilos um a
um. A cena horrorizou Emily, que em lagrimas começou a rezar, era tudo que
podia fazer.
Então Broly segurou o colarinho do homem
barbudo e atirou-o para trás como se ele fosse feito de papel. Dean saltou
sobre o violador de sua namorada e começou a bater até que ele mal pudesse se
mover ou falar.
Um soco direto apagou o homem que segurava
Emily, imediatamente Broly segurou o outro pelo pescoço e encostou-o na parede,
erguendo-o do chão e sufocando-o sem dó.
Dean caminhou até onde seu amigo segurava o
aliciador e parou, segurou o zíper já aberto do molestador e o fechou com
força, prendendo o pênis do cara.
- Agora você deve ter
curtido não seu merda? Anda Broly, largar esse idiota e vamos dar o fora daqui.
Mas ele não o ouviu. A raiva vibrava nos
olhos dele e seus dedos se apertavam cada vez mais no pescoço do animal que
tocara sua mulher.
- Broly? Vamos cara não
vale a pena – Dean tentou argumentar, mas Broly parecia incapaz de escutar –
Acalme-se por favor Broly! Se perder o controle vai fazer a Emily chorar ainda
mais!
No mesmo segundo Broly o soltou.
Ele caminhou até Emily e a segurou pela mão,
seu rosto mostrava profundo arrependimento.
- Esta tudo bem – ela
disse – vamos sair daqui.
***
- Como ele ousou tocar
em mim, e na minha Emily! Eu queria mais uma chance com aquele infeliz ai ele
ia ver! Eu, uma deusa, contra ele, um pedaço de bosta!
Era impossível para os demais não chegarem
ao ponto de esquecer o trauma e se divertir com o teatro interativo de Fani,
especialmente a parte em que ela iria fazer-los gemer como garotinhas
assustadas quando “enfiasse uma vassoura de aço em seus rabos”.
Dean estava aliviado que aquela experiência
horrível não tivesse traumatizado ou tirado o bom humor de sua garota, enquanto
que Emily havia esquecido o medo em prol de animar Broly, que parecia
envergonhado por ter perdido a cabeça.
- Você foi um herói –
disse ela alisando o rosto de seu amado – salvou nós duas.
- E eu ajudei – disse
Dean.
- Claro que ajudou
minha coisa gostosa e corajosa – paparicava Fani a Dean – mas nossa, Emily tem
toda razão Broly, se eu não fosse comprometida e sua namorada não fosse minha
melhor amiga, eu te beijaria.
- Obrigado, eu acho –
Broly disse e sorriu.
- Agora que finalmente
esta tudo, eu tenho algo a dizer a vocês – começou Dean – estamos completamente
perdidos.
- Não se preocupe,
basta darmos a volta e fazer o caminho de volta, podemos ir para o hotel amanhã
de avião ou...
Mas as palavras de Broly foram perdidas no
vento quando os pneus do carro estouraram e Dean teve de realizar um pequeno
milagre para evitar que capotassem.
***
Eles deixaram o carro atordoados.
- Mas que droga foi
essa? – gritou Dean – Ta todo mundo bem?
- Estamos bem – falou
Broly por ele e Emily, Fani também concordou – mas o que aconteceu afinal?
- Os pneus estouraram –
Dean e Broly afastaram-se um pouco do carro em direção a estrada, havia pedados
de metal afiados fundidos ao concreto, formando uma espécie de tapete de pregos
– mas que droga é essa? Não é possível que deixem uma estrada tão mal feita
assim.
- Não creio que seja
isso – disse Broly, sua expressão havia mudado e Dean reparou, estava como no
posto de gasolina a pouco.
- O que quer dizer?
- Acho que fomos
sabotados.
- Sem chance, isso é
enredo de filme de terror B.
- Mesmo assim, acho
melhor sairmos da estrada.
- Não tem nada em volta
Broly, só mato, você quer entrar no matagal?
- Vamos dar uma olhada
no GPS se tiver algo por perto vamos achar. Melhor não falar sobre a sabotagem
para as garotas, nada de criar pânico.
- Mesmo porque não
temos certeza se foi sabotagem.
Fani e Emily estavam nervosas e tremendo, a
noite estava fria e seca e não parecia haver nada em volta além de pasto a
esquerda e um denso matagal a direta.
- O que foi que houve?
– Fani era de longe a mais revoltada.
- Tinha uma má formação
na estrada que estourou os pneus – Dean achou que falando assim diminuiria o
impacto da situação.
- Lá se vai meu
aniversário – bufou ela.
- Vou dar uma olhada no
GPS e procurar algum lugar seguro em volta para descansarmos e pedirmos ajuda.
- Não quero você
andando por ai sozinho – Emily apertava os próprios braços contra o peito.
- Primeiro vamos ver se
eu encontro alguma coisa – levou alguns minutos para Broly retornar já com uma
lanterna em mãos – parece que tem um velho casarão que servia de hospedaria
numa estrada velha que foi fechada a norte daqui, pelo matagal eu devo
conseguir alcançar rapidamente.
- Você não vai sozinho
e ponto final – Emily estava quase gritando, apenas pensar no namorado perdido
ou morto a fazia querer se encolher.
- Não posso levar o
Dean e deixar vocês aqui sozinhas e o celular não tem sinal nesse lugar, a
única maneira...
- Eu vou com você –
falou Fani – Dean pode cuidar da Emily, e você é mais que o bastante para cuidar
de mim, assim todo mundo fica satisfeito. Só me deixe pegar minhas botas.
***
Emily estava nervosa, andando de um lado
para outro, já passavam das onze da noite. Broly e Fani haviam saído há quase
quarenta minutos e não havia sinal de viva alma em parte alguma.
- Tenha calma Emily, eles estão bem, devem
voltar a qualquer momento.
Dean tentou parecer calmo, tranqüilo e
entediado, mas no fundo estava tão nervoso quanto ela, afinal era sua garota e
seu amigo.
Por fim quando o relógio marcou 00h32min a
paciência se desintegrou.
- Chega! – ele foi até
o porta-luvas e pegou uma lanterna – Vamos Emily, vamos achar aqueles dois.
***
No calor do momento Dean e Emily entraram na
floresta com determinação, dispostos ao que fosse preciso para encontrar Broly
e Fani, contudo, a cada passo dado o medo aumentava e enfraquecia seus
espíritos. Estava escuro, o vento estava gelado e qualquer estalo ou som fazia
arrepiar a nuca de ambos.
- Sabe alguma coisa
sobre seguir pistas ou direções? Porque parece que estamos andando em círculos.
- Foi mau Emily, mas
isso é especialidade do seu namorado.
- Então para onde
estamos indo?
- Não faço a mais
remota idéia, estamos perdidos há uns dez minutos.
- O que?
O grito dela foi tão alto que pássaros em
volta despertaram e voaram para longe.
- Emily? – outro grito
em resposta veio da floresta – Emily!
- Fani! – gritou
novamente em resposta.
Ela e Dean correram em disparada para a origem
da voz até encontrarem Fani. As amigas se abraçaram forte ao ponto de machucar,
em seguida o casal beijou-se com afinco.
- Graças a Deus você
esta bem – disse Dean a sua amada – você esta bem não é?
- Estou, só meu joelho
que dói um pouco, devo ter dado um mau jeito, mas ainda consigo andar.
- E Broly?
- Nos separamos quando
me machuquei, ele disse que iria seguir em frente até a hospedaria e me mandou
voltar, eu disse que conseguia achar o caminho, mas me perdi. Desculpe Emily.
- Temos que achá-lo
agora.
- Eu concordo – Dean
interveio – mas estamos perdidos, como vamos procurar por ele? Devíamos tentar
encontrar o carro, nos organizar e então retornar. Afinal o Broly sabe se
cuidar melhor do que qualquer um de nós.
- Sei mesmo.
Todo mundo deu um salto quando Broly surgiu
do nada. Emily saltou sobre seu pescoço assim que o susto passou e o beijou.
- Vocês deveriam fazer
menos barulho quando estiverem no meio da mata, pode haver ursos, jaguares ou
coisa pior por ai.
- Você que nos assustou
cara, achamos que estava perdido – eles apertaram as mãos com alivio.
- Sabe que eu nunca
estive perdido não é? Estava indo para o carro atrás de vocês. Encontrei a
hospedaria, ela tem aqueles telefones fixos antigos, obviamente eles não
funcionam, mas se pudermos consertar a fiação talvez de para telefonar, ou ao
menos descansamos até amanhecer, e então voltamos até o posto, é longe, mas é
um começo.
Todos o seguiram até o local. Parecia mais
uma mansão. Estava completamente abandonada, as janelas estavam pregadas e, uma
vez dentro, o ambiente era sufocante e imundo, o mais estranho eram os lampiões
presos as paredes, estavam acessos. Alguém sem duvida havia estado ali.
- Parece que houve um
massacre aqui ou coisa do tipo – Dean enxergou manchas de sangue nas paredes e
assoalho – o que diabos houve aqui? Broly foi você que ascendeu os lampiões?
Chegou a reparar nessas manchas aqui?
Mas Broly havia ficado para trás. Ele
trancou a porta atrás deles, depois se virou lentamente e colocou sobre sua
face uma máscara de ferro enferrujado.
- Agora que estamos
todos aqui, vamos começar.
***
“E quando o homem cair, de vinte impuros lhe
será moldado. Eis que é brando e com toque suave trará a vida que lhe apega. O
corpo de Samael é belo, como ele é belo, e seu paraíso será tanto quanto o
anjo.”
Broly começou a recitar a cantiga enquanto
caminhava na direção dos amigos.
- Qual é cara, essa
piada é muito sem graça, isso é coisa que se faça com os amigos? E sua
namorada? Assustá-la assim não vai fazer bem algum.
- Que brincadeira de
mau gosto – Fani deu as costas e foi investigar o pé da escada.
Porém Emily ficou parada, nada disse e
apenas o encarou.
- Vocês são livres para
lutar por suas vidas como quiserem e fugir se puderem – a voz de Broly ecoou
pela mansão.
Foi apenas um segundo e Broly investiu
contra Dean. O soco foi certeiro, fazendo-o rodopiar pelo ar e se chocar contra
a mobilha.
Emily gritou, Fani entrou em choque ao ver a
cena. Broly ergueu seu amigo pelos cabelos, desacordado, virou seu rosto
metálico para as moças e parou. Por um segundo ninguém se moveu. Até Dean
inspirar, como se houvesse emergido do mar, neste ponto seu melhor amigo o
segurou pela cabeça e quebrou-lhe o pescoço tão forte que todo o corpo tremeu.
Fani desmaiou e o som de sua queda foi a
única coisa que impediu Emily de congelar.
***
Num pico de adrenalina ela correu até sua
amiga e tentou forçá-la acordar.
- Vamos Fani, não
podemos ficar aqui, temos que ir embora.
Enquanto Fani recuperava os sentidos Broly
deu alguns passos a frente e parou.
- Para ficar mais
divertido meu amor – essa palavra causou enjoou em Emily assim que ele a
pronunciou – eu vou virar de costas, fechar os olhos e contar até dez. Assim
você tem tempo de largar ela ai e ao menos tentar salvar a si mesma.
E assim o fez. Fani abriu os olhos, mas
sentia-se zonza e enjoada. Ela podia ouvir a voz de Emily chamando-a distante,
mas foi na voz de Broly que ela conseguiu focar.
- Um.
Emily estava em desespero, tentando fazer
sua amiga se levantar. Ela gritava e chorava, mas não obteve qualquer resposta
positiva.
- Dois.
Fani lamentava pelo desespero de sua amiga,
mas as coisas não podiam ficar assim, ele o matara, matara seu melhor amigo, o
amor da vida ela. Aquela casa era velha, era podre, e o chão de madeira estava
se soltando.
- Tres.
- Eu não vou te largar
aqui Fani, entedeu! Não vou! Agora levanta!
- Quatro...
Emily se recusar a abandonar a amiga mesmo
sabendo que morreria por isso parecia uma atitude tola e estava irritando muito
a Broly. Ele então virou de frente e puxou uma comprida faca da cintura.
- Você me faz perder a
calma – disse ele – Cinco, seis, sete, oito, nove e dez!
Partindo em direção a elas ele ergue a mão
armada contra Emily, mas acabou gritando de dor no lugar dela. Fani cravou um
pedaço de madeira direto no tornozelo dele, depois levantou-se como um raio.
- Vamos Emily, corra,
se esconda, agora! – gritou ela.
Sem saber o que fazer ela obedeceu e partiu
para a ala oeste da mansão. Fani, por sua vez, pensou em investir contra Broly
novamente, mas ele já estava se recompondo e ela sabia que não teria chance na
força bruta, portanto pôs-se a correr escada acima para o segundo andar da casa
até conseguir se esconder.
- Excelente jogada
Fani, mas não pode correr para sempre, e graças a sua brincadeira, vou fazer
você sofrer um pouco antes de matá-la – Broly estava mancando, mesmo assim seus
passos causavam estrondo – prontas ou não aqui vou eu...
***
Fani acabou entrando em um dos quartos do
segundo andar. Neste havia apenas uma cama, armário e um crucifixo na parede.
- Mais que merda, maravilhoso
lugar para se esconder.
O tempo estava correndo, a chance de
procurar por outro local era nula, especialmente após os passos de Broly
ecoarem pelos corredores do segundo andar. Fani não teve escolha.
Sempre que a mocinha se esconde em baixo da
cama ou dentro do armário nos filmes acabava pega, então era hora de
improvisar.
Ela arrancou o lençol da cama, escalou o
armário e deitou no topo dele, cobrindo-se o melhor que pode para despistar,
ficou quieta, em silencio, quase sem respirar.
As portas estavam sendo escancaradas uma a
uma.
“Ele vai castigar os maus e nas chamas do
inferno eles vão arder”, os cânticos recomeçaram. Fani teve de ter muito
autocontrole para não vomitar com a ironia ou não fazer ruído quando chegou à
vez do seu quarto ser revistado. Ela pode ouvir o ranger das molas no colchão,
as portas do armário abrirem e fecharem, os passos pesados no chão. A
respiração dele estava alterada e ofegante, mas ele não disse uma única palavra
enquanto estave lá. Quando os sons de passos começaram a se afastar ela
finalmente conseguiu soltar o ar. Por hora parecia que estava segura, ele
deveria demorar para investigar esse quarto novamente, talvez ela devesse
descer e procurar por Emily enquanto ele investiga as demais portas do andar de
cima, assim elas poderiam tentar achar uma saída.
Fani decidiu seu próximo passo, mas nunca
chegou a dá-lo. Broly a segurou enquanto ela ainda estava escondida do armário
e atirou-a sobre a cama. Puxou o lençol e rasgou-o como se fosse uma toalha de
papel, depois a agarrou pelo pescoço e, por mais que ela tentasse lutar a força
dele era maior, logo ela estaria dominada.
- Excelente idéia se
esconder em cima do armário, teria funcionado se o lençol não houvesse sido
tirado da cama. Esse lugar pode ser uma bagunça, mas eu tenho vindo aqui muitas
vezes, sei onde tudo esta.
Fani estava sufocando. Broly apertava sua
garganta sem se poupar, e continuou assim até as forças dela começarem a se
esvair. Assim que ela parou de torcer as pernas contra ele foi atingida com um
soco direto no estomago, era a segunda vez na mesma noite. As forçar
desapareceram de Fani e uma pontada aguda percorreu seus nervos.
- Lamento, não queria
te machucar muito, porque agora você não vai sentir direito o que vem depois – Broly
virou-a de costas e rasgou-lhe o vestido vermelho. Por baixo ela usava a
langeri que ele mesmo a tinha dado de presente – Quando foi que você vestiu
isso? Bem não importa – ele abriu o próprio zíper e afastou a calcinha dela –
Sem te achei uma puta gostosa mesmo, mas nunca pensei em violar seu corpo,
afinal eu tento seguir o que meu anjo me ensinou – ele se ajeitou por cima dela
– só que você me feriu, poderia ter simplesmente morrido rapidamente como o
frouxo do seu namorado!
Broly gritou as ultimas palavras ao mesmo
tempo em que se forçou dentro dela. Fani não gritou, ela se recusava a emitir
qualquer som, mas não era fácil. Broly era forte e penetrava sem dó, ao ponto
de machucar até a si mesmo. Fani, contudo, ficou horrorizada quando gemidos começaram
a lhe escapar a boca, a saliva começou a escorrer por seus lábios e sua boceta
começou a ficar molhada. Ela estava sentindo prazer em ser violada pelo cretino
que quebrou o pescoço de Dean e agora tentava tirar sua vida e de sua amiga. As
lagrimas molharam ainda mais o seu corpo.
- Olha só, parece que
você esta começando a ficar mais fácil – as palavras dele eram como facas
cravadas nela – você esta gostando muito disso não é? Sempre soube que você era
uma puta! Trepar com o homem que matou o seu queridinho esta te deixando toda
molhada não é? – os olhos dela se arregalaram.
Ele continuou indo mais fundo e mais rápido
até ejacular dentro dela. O corpo de Fani a traia e ela se odiava por isso,
porque não conseguiu resistir e acabou tendo ela mesma um orgasmo.
Por diversas vezes Fani tinha se imaginado
com o namorado de Emily, “qualquer mulher pensaria o mesmo” dizia para si
mesma, enquanto imaginava Broly no lugar de Dean em sua cama, ou quando não se
continha e tocava-se pensando nele. Uma vez chegou a assistir uma relação entre
Broly e Emily e quase não resistiu em seduzi-lo após esta ocasião. Tentava
firmemente controlar o impulso de andar de calcinha e blusa apenas, sempre que
ele vinha até o apartamento e esperava por Emily, ou de empinar-se de frente a
ele, usando até seu enorme decote para atraí-lo. Por vezes chegou até a fazer
isso, porém Broly sempre parecia aéreo, nunca pareceu perceber suas investidas.
Em certo ponto ela desistiu, a culpa foi maior o tesão. Agora Fani tinha
conseguido realizar seu desejo e não poderia estar se sentido pior.
- Acho que terminamos –
ele disse ao sair de cima dela, que fraca não conseguia se mover.
Ela pode ouvir seus passos indo e voltando
pelo quarto.
- Agora vamos ao que
interessa certo?
Fani conseguiu olhar para ele e ver o
crucifixo que lhe fora cravado nas costas antes de apagar para a morte.
***
Emily passou boa parte do tempo escondida na
ala oeste, uma espécie de grande salão com piano e diversas poltronas, mas não
ouviu som algum enquanto permaneceu lá.
Ela estava por demais preocupada com Fani e
sabia que procurá-la era muito arriscado, assim como ficar parada sem fazer
nada.
Demorou até que ela fosse capaz de tomar
coragem e finalmente deixar o aposento. Todo o caminho até o hall de entrada
estava tranqüilo. Não se ouvia som em parte alguma.
Ela sabia que Broly e Fani correram para o
segundo andar e tinha forte intuição de que ainda estariam lá em cima.
- Fani vai conseguir se
livrar dele, ela é esperta, mas não vai adiantar muita coisa se ainda
estivermos presas aqui – Emily repetiu essa frase para si mesma algumas vezes
até fazer outra escolha.
Ao invés de seguir para cima, resolveu
explorar a ala leste.
Esta por sua vez era caminho para uma larga
cozinha com uma porta de madeira em cada canto e mais uma ao fundo. Aquela era
sem duvida uma saída. Emily correu até alcançá-la.
Esta fora reforçada com metal e possuía
arame farpado em volta da maçaneta. Mesmo usando um pano, e ela tentou, era
difícil fazê-la girar, pois sua forma demasiada arredondada tornava-a
escorregadia, além de estar trancada.
- Preciso de algo para
arrebentar o arame e fechadura, se for preciso. Também seria bom alguma coisa
para matar aquele bastardo – a raiva era vivida no sangue de Emily. Ela beijou
aquele homem, ela dormiu com ele, ela o amou. Só de pensar nisso a jovem sentia
desejo de explodir.
Ela tentou a primeira porta. Esta levava até
uma despensa, porem sem nada de útil para usar, apenas comida estragada e
enlatados. A segunda revelava o caminho para o porão.
Qualquer um sabe que ir para o porão numa
casa com um violento psicopata é morte certa, mas se havia uma caixa de
ferramentas ou alguma arma útil para abrir caminho seria lá.
O porão, assim como o resto da casa, era
iluminado por lamparinas, mesmo assim não foi difícil enxergar o cadáver de
Dean separado em varias partes pregadas a parede. O cheiro era mortal.
- Meu Deus! – ela não
sabia se vomitava ou chorava.
Tentando não olhar para o corpo Emily fez
todo esforço que pode para continuar procurando. Se tivesse tido mais tempo
provavelmente encontraria algo, nem que fosse um dos enormes pregos usados para
prender os restos de Dean, mas os pesados passos desciam com urgência pela
escada.
Havia uma porta ao fundo, estava
destrancada. Emily passou por ela e deixou uma pequena fresta aberta, temendo
fazer barulho ao fechá-la.
Broly
entrou no recinto carregando o corpo inerte de Fani. Emily quase gritou. Sua
amiga estava morta, vestindo apenas a langeri vermelha que ganhara de presente.
- O que ele fez com
você? – sussurrou.
- Bem, 18 prontos, mais
dois apenas – disse ele.
Foi, quando Broly a pôs sobre uma mesa de
madeira e usou o facão para dilacerar seu corpo que Emily quase gritou.
Respirando fundo ela se virou para não ter
mais que assistir aquilo e poder conter as lágrimas, que teimavam em correr-lhe
pelo rosto.
O quartinho onde ela estava não possuía nada
além de uma passagem, uma escada que levava para cima. Subir era melhor que
ficar ali ouvindo Broly fatiar Fani, tirando o fato de que Emily ainda tinha
que dar um jeito de escapar, antes que acabasse sendo próxima vitima.
A escada subia em espiral e provavelmente
passava bem pelo centro da mansão, levando até o telhado, ou foi isso que
pareceu. Ao fim do caminho havia uma porta de madeira trancada, todavia a chave
ficava pendurada logo ao lado. Lá dentro Emily levou mais um choque ao avistar
um corpo sentado numa cadeira, e não era um cadáver comum. Ele era feito com
partes de diversos corpos, femininos e masculinos, estava nu e todo costurado.
Desta vez ela vomitou.
- Mas o que é isso?
No cadáver faltavam apenas a mão esquerda, o
olho direito e possivelmente o coração, visto que havia um buraco em seu peito.
- Porque alguém faria
uma coisa dessas?
Emily se aproximou um pouco mais e gritou a
plenos pulmões quando o rosto do cadáver se moveu e a encarou. Uma pancada
forte se deu em sua cabeça e a jovem acabou perder os sentidos.
Quando acordou estava caída e amarrada ao
chão.
Broly estava costurando a mão de Fani no
cadáver que se movia levemente. Sem duvida estava vivo.
- Enquanto eu viajava a
estudo – ele começou a falar, demorou um pouco para Emily perceber que era com
ela que falava e não com o morto – Acabei perdido nessa região, num poço onde
achei que iria apodrecer e morrer. Quando cheguei ao interior dele descobri que
aquele lugar não servia para guardar água e sim corpos. Era um tipo de
mausoléu, ao fundo eu encontrei um livro fascinante. Ele ensinava todo tipo de
coisa, era angelical, e o mais impressionante eram os ensinamentos para poder
se comunicar com os anjos – ele terminou seu trabalho e voltou-se para ela –
depois de recitar as palavras eu passei a ouvir os sussurros na minha cabeça.
Eles me mostraram o caminho para fora daquele inferno e me deram a
clarividência necessária para descobrir a verdade. O anjo que falou comigo
queria ser livre, trazer o paraíso aos homens e a terra, mas ele precisava de
um corpo, 20 almas para ele poder restaurar a sua. Então comecei a coletar as almas
e construir o corpo para meu anjo. Já tenho 18, você será a 19 meu amor, uma
honra não?
Broly voltou-se para o cadáver e ajoelhou-se
perante ele.
- Mas a honra maior
será minha, pois serei o ultimo, o vigésimo, e meu coração será devorado. Assim
tornar-me-ei apenas um com meu anjo e juntos traremos o paraíso.
O corpo disforme esticou sua nova mão e
alisou o rosto de Broly com carinho, porém foi o pensamento de comer-lhe o
coração que fez o anjo sorrir e lamber os lábios.
!!!


Isso foi macabro.
ResponderExcluirRealmente ? Não gostei desse conto. Eu particularmente tenho certo fascínio por anjos e você meio que fez uma versão assombrosa deles . Amei ter criado algo inovador. Mais detestei por que eu amo anjos.
#Marcy
Entendo perfeitamente.
ExcluirA repulsa, a agonia. Sentimento horrendos e fascinantes.
Anjos e Demônios Pagãos podem não ser tão diferentes como achamos.