Homenagem: Ω - Irmandade da Adaga Negra



 
Ω


   Chuvas sempre trazem maus presságios, ou muitos assim acreditam. Os humanos veem a ira de Deus nas tempestades, os irmãos um sinal de alerta, o Ômega por outro lado, não vê nada.
   Ele apenas caminha, entre a agua que desaba do céu e a noite sombria, em direção a única luz ao topo da colina, para qualquer outro teria sido melhor ficar nas sombras.
   Depois de diversas tentativas fracassadas ele finalmente decidiu que seria melhor mandar alguém que eles não possam matar, do que uma centena de redutores, mas para isso ele precisava busca-lo pessoalmente. Sozinhos seus homens não haviam sido mais do que fracassos em realizar a missão. “Se quer algo bem feito...”.
   O Asilo parecia deserto, e bem podia enganar não fosse a fraca luz que vinha de dentro. O Ômega tocou o portão. Abre-te Sésamo. Os redutores invadiram, mas o Ômega não se apressou. Ele passou pelo hall enquanto os corpos desabavam bem à frente no corredor. Laminas e balas enchiam o ar com sangue. Logo o silencio deu lugar ao barulho. Cada um dos loucos, presos em suas próprias jaulas perceberam o cheiro, o fresco odor de sangue, da morte, isso os agitava, excitava. Em sua euforia a epidemia de histeria conseguiu se expandir mesmo para aqueles longe demais para presenciarem a carnificina.
  Os corredores do Asilo pareciam mais vivos para o Ômega agora do que jamais foram, até algumas lâmpadas tinham misturas de cores agora, de brancas a vermelhas. Alguns redutores pareciam estar se divertindo bastantes rasgando qualquer coisa que se movesse.
   Primeiros os médicos e funcionários seriam presos e torturados para sua vil satisfação, depois seria a vez dos detentos, um por um. A verdade era que toda sua agitação e felicidade era uma ironia absolutamente ridícula, pois teriam, em breve, o mesmo destino dos demais. Quando tudo terminasse, todos que já estavam ali desde o instante em que o Ômega decidiu tomar ação esta noite já eram cadáveres, todos menos um.
   Aquele lugar seria um labirinto para qualquer alma que se aventurasse erroneamente. Mesmo assim nenhuma curva foi errada, nenhum caminho foi tomado levianamente, e por fim a grande sala estava ao alcance.
   Outra vez o Ômega tocou na porta. Abre-te Sésamo. Dois vampiros machos e uma fêmea em jalecos tinham olhares desesperados, sabiam o que estava por vir, não conseguiriam lutar e ninguém estava vindo para salva-los.
   Os redutores os cercaram e os mantiveram num canto, longe do caminho do Ômega, pois para ele hoje havia apenas um em todo aquele lugar.
   A mascara de ferro tampava o rosto do homem preso numa maca de aço, mas seus olhos ainda estavam ali, bem aparente. As amarras eram poderosas sem duvida, e mesmo assim pareciam ter dificuldade em firmar seu corpo, esculpido como uma maquina mortífera. O cabelo caia-lhe pelos olhos, fixos no ser a sua frente. O Ômega sorriu, e o homem da mascara de ferro nem piscou.
***
   Foi como num piscar de olhos. Um dos redutores aproximou-se do prisioneiro recém libertado e sorriu amigavelmente.
- Olá - ele estendeu a mão pálida para o prisioneiro imundo - eu sou o Sr B, e você sem duvida é o Sr Hunter Blake, estou correto?
   O homem levou ambas as mãos ao rosto e se livrou da mascara de ferro. Depois arrancou as roupas imundas, toda ela e caminhou até o lado oposto do quarto, abriu uma torneira e lavou-se. Até que estivesse completamente limpo ele não parou.
   O Sr B ficou apenas assistindo com um sorriso amigável no rosto. Lembrando-se do pouco que ainda sabia sobre sua vida humana, se ainda fosse vivo teria amado ver aquele homem se banhar, as gotas de agua escorrer por seus músculos, que pouco pariam feito de carne. Centenas de anos preso no pior inferno da terra e não havia um único defeito nele, uma única cicatriz. Mas isso já não interessava ao Sr B, muito menos ao prisioneiro.
   Hunter Blake terminou seu banho e retornou ao centro da sala, mas passou direto pelo Sr B.
- Deve ter sido muito tedioso para você, Sr Blake, ter passado tanto tempo nesse lugar após o a antigo Rei o jogar nesse pequeno... Paraiso.
- Eu adoro esse lugar - foi a resposta dele.
- Bom isso é uma maravilha. Se quiser pode ficar aqui, eu pessoalmente não me importo muito - o Sr B, por uma fração de segundo, experimento uma sensação muito estranha, parecia revolta - contudo creio que saiba o porque de estarmos aqui.
- Vocês querem a mesma coisa pobre de sempre. Morte ao Rei, morte aos vampiros, morte a irmandade.
- E não é o que o Sr deseja? Vingança contra quem o prendeu?
- Já disse que gosto daqui. Esse lugar sempre me fez rir. Todas essas experiências fúteis, o bom humor das pessoas que trabalham aqui. Os outros internos eram meios chatos, mas nem tudo é perfeito.
   O Sr B ficou sem ação, fazia muito tempo que passaram por uma inercia.
- Então virá conosco? - perguntou por fim - Ou vai ficar no seu mundo feliz?
- Não interessa o que eu vou fazer. O que importa é o que vem a seguir. Além do mais eu gostaria de rever uma velha amiga.
   Hunter Blake parou de frente aos três vampiros feitos de reféns, ele segurou os machos pelo rosto, ambos e os espremeu. Largou os restos bem ao lado e parou para encarrar a fêmea.
- Imagino que já faça muito tempo não? Podemos arranjar algumas mais bonitas se quiser - o Sr B deu alguns passos a frente.
- Não fique com inveja só porque eu posso e você não - Hunter Blake sorriu - Ademais já faz muito tempo, qualquer uma serve.
***
   O show começava às oito da noite, sem falta. Os clientes já estavam dispostos a se embebedar e jogar fora o dinheiro que possuíam arremessando-o no palco, ou fincando na calcinha das dançarinas. Todo esse alarde para assistir mulheres sem roupa. Não importava se eram humanos ou vampiros, homens eram sempre homens.
   Hunter acomodou-se no balcão e se pôs a beber e ridicularizar em sua mentes os imbecis a fazer alarde cada vez que uma nova garota começava sua dança. Contudo, quem seria ele para criticar agora? Afinal também estava ali para ver uma garota.
   Ele esperou pacientemente, se bem a conhecia ela era sempre a estrela de lugares como esse, demoraria a aparecer. Mas sua outra companhia não demorou a chegar.
- Puta merda - um homem calvo e baixo sentou-se ao lado de Hunter, agarrou-se a uma garrava de vodka como se fosse um crucifixo. Hunter podia jurar que logo ele começaria a rezar - caramba cara achei que estivesse morto. Quantos anos faz?
- Centenas, mas quem esta contando.
   Hunter havia dispensado os redutores, eles não seriam bem vistos neste lugar, presas demais. Sem contar que acabaria assustando ainda mais seu amigo, que já era um imenso covarde.
- Como foi que...
- Como foi que escapei Charlie? - Hunter sorriu e bebeu mais um pouco - Só achei que já estava na hora de voltar das férias.
   Charlie tremeu. Só um louco chamaria aquele lugar de férias.
- Bem, é bom ter você de volta - Charlie entornou mais álcool do que planejava.
- Tem certeza disso Charlie? Pelo que soube, você esta transando com a minha garota, não deve ser tão bom assim me ter de volta.
   O homem engasgou violentamente, tossiu com tanta força que imaginou que seus pulmões fossem rachar. Hunter mantinha o agradável sorriso sedutor em seu rosto, e a mais pura calma em seus olhos.
- Deixe de ser frouxo Charlie, se conheço bem a Cordélia você não foi o único. Sem mim ela fica meio incontrolável. Não o chamei aqui para acertar contas por coisas tão patéticas. Considere-se perdoado.
   Charlie suou frio. Limpou a testa e os olhos em um guardanapo, tornou a encher o copo e bebeu mais um pouco.
- Fico muito grato por sua generosidade. Posso perguntar por que me chamou? - as palavras deixaram sua garganta com muita dificuldade.
- Por que você é não é mais meu amigo Charlie, mesmo assim preciso de um favor.
- Claro, tudo que quiser - foi a única resposta que ele conseguiu pronunciar.
- No momento quero se cale, o show dela vai começar.
   A musica tornou a mudar, algo usual para introduzir cada nova garota. Desta vez a garota usava botas de couro com salto, uma saia de prega rasgada e uma jaqueta jeans. Seus cabelos loiros estavam presos em duas chuchas extremamente infantis. Hunter quase caiu na gargalhada ao vê-la.
   Sua dança era inegavelmente sexy, Cada curva de seu corpo parecia esculpida a mão, sua pele branca parecia derretes suavemente sobre os holofotes, suas mãos e movimentos eram firmes e seu olhar sempre sério.
   Qualquer um com um pouco de cérebro consegui enxergar que ali não estava só uma dançarina. Hunter consegui prever, caso soubessem o que estava por trás daquele corpo frenético e sedutor, ninguém ousaria assistir esse show, ninguém além dele talvez.
- Impressionante não é? Você deve ter gostado de saboreá-la um pouquinho não foi Charlie?
   Não havia diferença entre as palavras dele e navalhas a rasgar a pele. O homem gelou novamente.
- Vamos deixa-la dançar para podermos tratar de negócios. Como eu estava dizendo nós não somos amigos, não mais, a boa noticia para você, é que minha amizade esta a venda, e imagino que você goste mais de estar vivo do morto, eu estou meio sem condições, portanto preciso de dinheiro e você é um cara que dorme com muita grana d’baixo do colchão. Vai me passar metade de tudo que tem Charlie, considere uma comissão por ter se deitado com a minha garota.
   Charlie estava mudo. Hunter olhou-o atravessadamente. Pousou seu copo sobre o balcão e pós o pescoço do homem entre seus dedos, trazendo-o seu rosto para bem perto.
- E isso, Charlie, isso vai nos fazer amigos - o homem começou a tremer e gaguejar, coragem qualquer que fosse que residia dentro dele, havia se mudado - e como amigos fazem favores aos amigos, você vai me fazer um favor.
- Por favor, diga qual é o favor.
- Eu soube que meu velho amigo, o Rei, esta morto, e o filho dele assumiu, casou-se com a filha bastarda de Darius, não estou certo? Você irá até Etrigan e vai convence-lo a realizar uma missão suicida para mim.
- Mas...
- Ah, sem “mas” Charlie.
  Hunter levantou-o como se fosse feito de papel e o jogou sobre o balcão, a musica nessa hora parou e as pessoas viraram-se para ver o que acontecia.
- Para garantir que você tenha entendido a mensagem, vou lhe deixar um suvenir - Hunter quebrou a garrafa de bebida que estava com Charlie, pegou um dos cacos e abriu um meio sorriso, até a base da orelha esquerda dele.
   As pessoas gritaram e muitos tentaram correr, mas nenhuma das portas abriria. Hunter sentiu pena delas por um instante, todos olhavam para ele ou para as saídas, elas não conheciam o verdadeiro truque, a verdadeira traça. “Quando todos olham para a direita, você deve olhar para a esquerda”. Pois se tivessem olhado teriam visto a dançarina totalmente nua, trazendo nas mãos duas laminas de abate. Quando as pessoas finalmente entenderam, já era tarde demais.
- Tudo vai acabar bem rápido agora - Hunter parou para admirar o trabalho dela por um momento, depois afagou seu amigo recém integrado - Ora não chore Charlie, venha, vamos por um pouco de sal nisso ai, tornar a ferida permanente, afinal, as mulheres adora um homem com cicatrizes de guerra. Sem contar que isso vai garantir que você seja bem persuasivo com relação a Etrigan, e no meio tempo, conversamos sobre o que eu quero que ele faça.
   Hunter saiu arrastando Charlie quase inconsciente. Ele teve que tomar cuidados com os corpos espalhados, estava difícil de caminhar.
- Você não perdeu o jeito Cordélia, ou seria melhor Cordy, como diz no seu cartaz? - ele sorriu, ela não - Não seja tão séria minha querida - ele alisou seu rosto banhado a sangue - Sempre soube que você ficava bem de vermelho.
***
- Sr? - o homem esquio e jovem demais para se encaixar nas roupas de um criado tomou cuidado com as palavras, com seu tom. Sabia bem como se comportar, talvez por isso seja o único que restou na mansão.
- Deixe-me em paz.
- O Sr tem um visitante lhe aguardando no portão, vou encaminha-lo para o escritório.
   Etrigan poderia ter ficado surpreso com o anuncio de um visitante, contudo muito pouco o surpreendia nesses dias por vir. Ele largou a foto de sua sheelan e foi para o escritório. Sentou-se na poltrona no canto, próxima a janela, longe da escrivaninha, um local incomum para o dono da casa, ele não ligava.
   Momentos depois seu mordomo estava de volta em companhia.
- O Sr Charles Crane - anunciou-o.
- Já faz um bocado de tempo Etrigan - Charlie estava nervoso, e não era para menos.
   Desde a morte de Milenna, a sheela de Etrigan, pelas mãos de Audrey, um irmão pertencente as Irmandade da época do antigo Rei, assim como o próprio, Etrigan tornou-se uma casca vazia e extremamente perigosa. Já fora conhecido como o mais forte membro da Irmandade da Adaga Negra, responsável pela captura de Hunter Blake, um terrível inimigo de guerra que nem mesmo o Rei conseguiu matar.
   Charlie nunca havia sido muito curioso com qualquer um que não fosse parte de seus negócios, mas mesmo ele, neste ponto critico, imaginava quais teriam sido as circunstancias que levaram um herói ao fundo do posso, porque um irmão de armas tiraria a vida de sua sheelan, e mais importante, o que Hunter, que havia sido capturado pelo próprio Etrigan, queria com ele.
- Diga logo o que quer Charlie, não vou ficar perdendo meu tempo com você a menos que seja algo importante.
- Hunter escapou. Foi solto da gaiola pelos redutores.
   Etrigan tremeu, fazia muito tempo desde que realmente sentira algo além de saudades.
- Ele quer algo de você, vim trazer a proposta em nome dele.
- Imagino que tenha sido ele quem deixou essa marca permanente no seu rosto Charlie. Entretanto eu não diria nem mais uma palavra se fosse você. Hunter quer algo de mim, ele que venha pedir pessoalmente. Vou mandar um convite a ele.
   Etrigan chamou seu mordomo.
- Leve uma mensagem minha para Hunter Blake, Charlie lhe dirá onde ele esta. Escreva no cartão que ele esta convidado a vir aqui, seja breve e direto.
- Sim Sr.
- Quanto a você Charlie, fique tranquilo, ele não vai mais lhe causar dor.
   Charles Crane relaxou, o medo começou a deixar sua alma. Ele acompanhou o mordomo de bom grado e lhe deu todas as informações necessários, não muito após o serviçal cumpriu as ordens de seu mestre e preparou um convite bem efetivo para apresentar ao futuro convidado, ele estava feliz afinal, faziam anos demais desde que tiveram tantas visitas.
***
      Cordy escorria sobre o corpo dele, úmida e voraz. Os músculos resistentes dele faziam atrito as suas unhas, que cada vez mais forte ela crava em seu corpo, não porque o desejo a tomava, ou porque o membro a rasgava por dentro libertando um furor de seu intimo, obrigando a suas, gemer e se contorcer agressiva, a razão nem mesmo era o flutuar de sua imaginação viciada nas mais diferentes formar devassas de sexo. O que a enfurecia era o fato dele apenas a olhar cinicamente e sorrir. Sem gemidos, sem expressões, sem submissão. Suas mãos eram rápidas em apertar seu corpo, sua cintura em forçar-se para dentro dela e preenche-la, mas seu rosto era zombeteiro, com um total ar de superioridade que fazia Cordélia desejar amarra-lo enquanto o traia bem diante de seus olhos, apenas com o intuito de ver algo além de escarnio brilhar por trás deles.
   Seus desejos, obviamente, nunca foram realizar, nem o êxtase lhe foi permitida, pois escancararam as portas do recinto, e o invasor trazia com sigo o objeto que seria a razão para Hunter largar seu corpo sem nem mesmo ejacular, e isso a ofendeu profundamente.
- Parece que Etrigan nos achou um jeito muito interessante de solicitar uma visita - Hunter sorriu com mais emoção do que quando tomava Cordélia nos braços.
   Ele atirou a cabeça de Charlie aos pés dela. Com todo seu corpo rígido ele expulsou o intruso, caminhou até ela e atirou-a no chão.
- Vamos lá Cordy, esse não foi seu melhor foi? - zombou Hunter.
   Entretanto sua provocação não durou muito, pois neste dia ele gemeu alto e quase se esqueceu do porque estava livre.
***

   A cabeça de Charlie pousou sob os pés de Etrigan que, mesmo ao ver seu servo mais leal feito de refém por uma femea, sequer se moveu.
- Eu recebi seu recado meu amigo - Hunter sorria como se estivesse revendo um amigo ou parente querido depois de muito tempo - quantos anos se passaram? E aqui estou eu, diante de você, como se tivesse sido ontem mesmo. Você envelheceu.
- Tanto quanto você.
- Não mudei quase nada, não tente diminuir minha autopreservação.
- Você esta animado demais em me ver Hunter, pelo que lembro em nosso ultimo encontro eu te joguei numa cela.
- Nunca lhe agradeci devidamente por isso não é? Estou perdendo meus modos. Foram férias maravilhosas, nem tenho palavras para descrever. Contudo infelizmente eu fui obrigado a deixar meu retiro e voltar ao trabalho. Preciso de sua ajuda.
- Em nome de qual força neste universo eu iria ajudar você?
- Justiça, Etrigan meu caro.
   A indagação completamente recheada de devaneios sobre as férias paradisíacas e a palavra Justiça deixarem a boca de Hunter Blake calou Etrigan, deslocando seu raciocínio.
- Você deu tudo pela Irmandade, fez tudo por eles, foi o melhor dos soldados. E veja onde veio parar.
- Você quer que eu corra atrás de vingança?
- Vingança? E de isso adiantaria agora? O antigo Rei esta morto. O seu Nêmeses, aquele que tirou sua sheelan de você não existe mais. Não meu caro. O que você vai fazer não é por vingança. É para passar uma mensagem.
- Seja claro Hunter.
- Vamos raptar Elizabeth, a esposa do Rei. Faze-lo acreditar que ela esta morta, deixa-lo sentir toda a dor que você sentiu e o desespero que eu poderia ter sentido naquele lugar, se fosse algo diferente do que foi. Por fim, após alguns bons meses de sofrimento, devolveremos a doce Beth ao seu amado. Como eu disse, passar uma mensagem. Sei que alguns meses não vai compensar sua perda, que diferente dele, será eterna, todavia sei também que você não é um assassino de inocentes.
   Etrigan nada disse. Ele não sabia como formular as palavras. Tentou organizar uma recusa em sua mente. Apenas tentou.
- E o que você ganha com tudo isso Hunter?
- Como eu disse velho amigo. Passar uma mensagem.
***
      O primeiro vampiro caiu como um estrondo sobre o capo do carro. Seu punho estilhaçou o para-brisas, agarrou a gola do motorista, e mordo de Wrath, e quase lançou-o para fora do carro. Mas seus reflexos rápidos acabaram derrubando seu agressor antes que o próprio se ferisse.
   Infelizmente isto fora o mais do que o bastante. O impacto danificou o veiculo, que dali não sairia mais. Beth estava com o coração acelerado, sem qualquer ciência do que estava ocorrendo gritou por seu mordomo mais de uma vez, sem nenhuma resposta.
   Ousadamente abriu a porta traseira e saiu para a noite escura. Haviam pelo menos oito deles que ela pode contar, estavam com o motorista, completamente imobilizado e inconsciente.
- O que vocês querem aqui? - tomou toda coragem que tinha e cuspiu as palavras com rispidez.
- Majestade - um dos homens se aproximou - viemos até aqui para escolta-la a suas novas acomodações.
- Quem são vocês? Porque fazem isso? O que querem?
   O orador se aproximou. Era alto, cabelos loiros muito baixos, os olhos azuis mais brilhantes que Beth já vira, usava um elegante terno preto com gravata borboleta, que em nada conseguia esconder a rigidez do seu corpo.
- Meu nome é Etrigan, majestade, e eu tenho uma divida a pagar com Wrath. Por favor, tente não me obrigar a ser mais ríspido do que o necessário. Entre no carro - ele indicou uma limusine a uns cinco metros. A frieza nos seus olhos estava repleta de sentimentos em conflito.
   Antes que Beth pudesse dar um passo sequer um braço atravessou o corpo de Etrigan e largou seu corpo ao chão tão rápido quanto o atacou, ele, mesmo do chão, virou-se para seu agressor com olhos repletos de duvida.
   Hunter, o assassino, abaixou-se para ele e sorriu, algo que Beth não pode ver. Depois ele levantou-se.
- Venha temos que sair daqui agora - ele estendeu a mão para Beth, que levou um tempo para assimilar tudo aqui e por fim segurar a mão do estranho.
   Quando os homens de Etrigan notaram o que estava ocorrendo, voltaram-se contra Hunter, contudo não foram capazes de enxergar a armadilha. Cordelia cortou-lhes as gargantas um por um e deixou seus corpos lá para apodrecer.
   “Todos seus agressores estavam mortos, ela estava salva”, pensava Beth, “mas quem eram esses dois?”.
- Desculpe pelo susto - falou Hunter - eu estava atrás de Etrigan a um tempo, sabia que ele planejava algo, mas não imaginei que seria assassinar a mulher do Rei.
- Quem é você? O que raios esta acontecendo?
- Perdoe-me majestade. Eu me chamo Jason Lake, esta é Cordy - Hunter apontou sua parceira - eu prometo que explico tudo assim que chegarmos a um local seguro. Como podemos chamar a Irmandade?
- Eles estão fora, um problema com redutores. Ah meu Deus...
- Não se preocupe com seu mordomo Majestade, ele esta conosco, está seguro - disse ele sorrindo tranquilamente.
- Por favor, me chame de Beth.
***
   Wrath, Vishious e Torment ouviram toda a história de Blake com a maior atenção, o que só deixava o Rei cada vez mais furioso.
- Etrigan fora membro da Irmandade na época do antigo Rei, desde que ele chacinou os pais de Cordy estávamos atrás dele. Infelizmente ele sempre vivia isolado, escondido. Usava capangas e até redutores para fazer o serviço. Quase morremos mais de uma vez. Hoje tivemos uma dica de que ele realizaria um trabalho pessoalmente. Demos sorte. - Hunter parecia tenso, mas estava demasiado confortável com seu novo papel.
- Não, minha sheelan foi quem dera sorte. Se não estivessem lá...
- Acho que os redutores foram usados para distrai-los, mas não sei como ele tirou Beth, perdão, a Rainha de casa.
- Recebemos um alerta de que nossa localização fora comprometida - Vishious se pronunciou - Beth e os demais civis estavam sendo removidos separadamente, pensamos em mandar escoltas, mas a quantidade de redutores era grande demais para não irmos todos.
- Mesmo assim, foi uma falha que não pretendo repetir novamente - Wrath rugiu em raiva.
   Hunter estava tendo muito trabalho para segurar o sorriso, pai e filho eram farinha do mesmo saco.
- Bem acho que devemos ir. Etrigan esta morto, nossa missão esta completa - Hunter levantou-se e Cordelia o acompanhou.
- O que faram agora? - perguntou Torment.
- Não sabemos, passamos tanto tempo nisso. Acho que vamos ter que descobrir.
- Porquê não ficam conosco por um tempo? - pronunciou Beth e Hunter quase cantou vitória ali mesmo.
- Beth tem razão. Jason Lake, precisamos de todos os amigos que estiverem a mão.
   Wrath estendeu sua mão Hunter, que hesitou por um momento antes de aperta-la firmemente, selando um acordo que, não muito distante, colocaria um sorriso verdadeiro em seus lábios e um Rei no inferno.





Estamos apenas começando...





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