Titulo: Flores para o Porco
Autor: John Doe
Anfitrião: James L Flinders
Anfitrião: James L Flinders
Categoria: Adulto
Arquivo: Segredos&Noites #3
Arquivo: Segredos&Noites #3
Segredos
& Noites
James L. Flinders
John Doe
John Doe
III-
Flores para o Porco
-
Calisto! Calisto, onde você esta seu moleque imundo!
O garoto podia ouvir os passos urgentes da
bruxa velha pela casa a sua procura. Era nesses momentos que ele mais se
identificava com João, quando este estava preso na jaula e a Bruxa da Casa de
Doces arrastava-se de um lado para o outro, tentando engordá-lo.
Não era muito diferente aqui. Bruxas ainda
eram bruxas, garotos ainda eram só garotos, a única coisa que mudava eram os
laços sanguíneos, pois desta vez o mocinho e a bruxa não eram apenas inimigos,
eram família.
A velha magricela e enrugada, porem com a força
de um lenhador, escancarou a porta do closet e puxou o garoto pelos cabelos.
-
Seu vermezinho patife e ingrato, quantas vezes vou ter que dizer para limpar o
seu quarto!
- Mas eu limpei tia!
-
Você chama isso de limpo! – gritava ela com toda força
proveniente de seus secos pulmões, alto o suficiente para derrubar uma casa de
palha – Seu porquinho!
Ela esfregou o rosto do garoto no chão, e
por mais que não estivesse perfeito, o jovem não conseguia ver a sujeira que
aparecia diante dos olhos de sua tia, é como se a imundice se mostrasse a ela,
mas fugisse dele quando ela o trazia, apenas para deixá-lo na duvida, apenas
para caçoar. Por vezes ele teve a certeza de ter visto a sujeira gargalhando
enquanto ele era punido.
-
Você não limpa nada direito, você é um porco bagunceiro que ama viver no
chiqueiro não é? Mas eu não vou deixar, eu vou salvar você de si mesmo meu
querido! Não vou deixar você acabar como minha irmã.
Essas palavras doeram mais do ele sabia que
o castigo iria doer. A mãe de Calisto fora morte dois anos atrás, quando
criminosos invadiram a pequena fazenda onde ela criava porcos e, sozinha,
criava o filho. Ele sempre teve vontade de visitar a velha fazenda, ficava nos
arredores da cidade, não muito atrás da colina no canto sudeste. Mas sua tia
jamais permitiria.
Ela arrastou-o por todo o corredor. O garoto
tentava lutar, mas não havia saída, a bruxa era forte demais e dessa vez não
havia Maria para ajudar João.
***
Colin, “O Porco”, acordou como um vampiro
e sentou-se na cama no mesmo instante. Sua respiração não estava ofegante, ele
não estava nervoso, nem mesmo suava. Ele apenas acordou, como sempre.
Levantou-se e caminhou até o banheiro. Olhou-se no espelho e quase sorriu
quando percebeu que continuava tão feio quanto sempre fora. Sua pele era
coberta de queimaduras e cicatrizes horríveis, quase não havia mais cabelo em
parte alguma do seu corpo, e o pouco que havia ele raspava. Colin sentia-se um
monstro, mas isso era bom, ele achava que combinava com isso.
Aproveitou tranquilamente um belo banho
morno, secou-se com a mais macia das toalhas até não sobrar única gota d’água
em seu corpo, cortou e limpou as unhas, escovou os dentes, passou fio dental,
um belo creme corporal e uma loção de linha para deixá-lo perfumado.
Regressou ao quarto, vestiu uma camisa de
abotoadura branca, manga comprida, colete cinza, calça tão escura quanto seu
sapatos, polidos ao ponto de brilhar. Colocou suas luvas salmão e por fim a
mascara de um porco sorridente por sobre o rosto. Respirou profunda e
calmamente.
Sua pequena mansão subterrânea continuava
tão silenciosa quanto ele gostava, ainda não era hora para agitações. Na
cozinha ele preparou panquecas com geleia e suco de laranja com todo cuidado.
Não era fácil comer com a máscara e as luvas sem sujá-las, mas ele gostava de
fazer isso, era mais que um ritual era um treinamento de pericia, cuidado e
controle. Ao terminar ele caminhou até um quadro de vidro na sala, abriu-o e
retirou uma espécie de micro controle com apenas três botões, apertou o
primeiro e uma luz verde brilhou.
Com menos de cinco minutos duas mulheres
desceram, usando nada além de um avental branco e luvas. Colin girou na
poltrona onde estava e encarou-as.
- Maravilhoso minhas
meninas, estão numa pontualidade perfeita, muito bem! Serão recompensadas por
isso, não se preocupem, eu não esqueço quem me serve bem – falou num doce tom
de animação, com uma voz amistosa – agora vão, e deixem tudo brilhando ok?
Elas faziam muita força para não tremer e
nunca respondiam.
Assim que saíram de vista ele tornou a girar
a poltrona na direção da grande tela plana em sua parede para assistir um de
seus filmes favoritos, sua própria filmagem de “A Bela e a Fera”. Não aquela
porcaria infantilizada, onde a Fera mais parecia um charmoso lobisomem, e sim a
versão original, onde o monstro era um javali e a pobre bela esta indefesa
perante os avanços sexuais do violente animal. Uma obra prima, extremamente
realista, que o fazia inflar o peito de orgulho.
***
A água já estava vermelha. As lagrimas do
garoto se misturavam ao sangue e a água enquanto seu corpo esfolado doía
violentamente.
-
Agora sim você esta limpo seu porquinho imundo. Nada que um bom banho com uma
esponja de aço não cure.
Esse não fora seu primeiro banho assim, nem
aquelas seriam suas primeiras cicatrizes, mas essa foi sim a primeira vez que
ela marcou seu rosto. Marcas que, ele sabia, jamais sumiriam, e que agora
estavam a vista para todo mundo ver. Calisto já não chorava mais de dor apenas,
chora de medo também, da bruxa velha e do mundo lá fora.
Ele sentiu muita vontade de gritar e chorar,
mas tudo que conseguiu foi um gemido agudo, nem de perto alto o bastante.
***
Quando o detetive Ivan Stepanovich Volgin,
ou Major “Shalashaska” como era conhecido, passou pelo portão velho da fachada
do prédio, o “Porco” já havia recebido um sinal de sua presença. Ele pensou se
não seria melhor para a punição da jovem que acabou manchando suas camisas
brancas ao lavá-las com outras coloridas, mas conhecendo aquele doente mental
não seria preciso, a visão do porco montado e penetrando a jovem seria mais do
que o suficiente para desviar a atenção do detetive.
- Porco seu merda, é
melhor dar as caras!
“O Porco” vestiu uma toga por sobre seu
corpo nu e se dirigiu a sala. Volgin era um herói para as pessoas da cidade,
responsável por limpar as ruas de diversos marginais. O que a população não
sabia era os métodos utilizados pelo detetive, ou mesmos suas relações com
prostitutas e excêntricas taras sexuais, quase tão incomuns quanto a do próprio
Colin.
- Shalashaska, meu velho! Que você quer de mim
dessa vez? Garotas? Informação? Grana? Tenho o que precisar – ele recebeu-o de
braços abertos como sempre, nunca se sabe quando uma boa reputação pode ser útil.
- Veremos – o detetive
deu uma volta pelo cômodo, enquanto Colin ficava perguntando a si mesmo se os
sapatos de Volgin estariam limpos, pois o infeliz não teve a decência de
tira-los – sempre vivendo como um rei.
- Eu tento!
O barulho vindo do quarto aos fundos estava
ficando cada vez mais alto, parece que a garota estava começando a se divertir
mesmo contra a vontade.
- Que é que você esta
fazendo lá?
- Curtindo. Agora chega
de papo furado – ele foi até o frigobar – Tome, pegue uma bebida – e atirou uma
cerveja ao detetive – Manda – disse sentando-se.
- Cabeça, decapitada e
amarrada com uma fita e um laço.
- Ah eu ouvi falar, uma
das putas do 14K.
- 14K? O prostíbulo do
chinês tatuado? O tal do Tóugǔ? Não é de se estranhar que eu tive a impressão de
conhecer a garota, já visitei bastante o 14K.
- De uma checada,
alguém pode saber de alguma coisa, só fiquei esperto, o tal Tóugǔ não é de
brincadeira, e ele é um homem com muitos inimigos, que facilmente podem se
tornar seus, sabe como funciona o esquema.
- Pode apostar – o
detetive bebeu até a ultima gota da cerveja – só preciso me aliviar antes, ou
posso acabar fazendo outra coisa que não investigar quando chegar lá.
“O Porco” começou a gargalhar.
- Venha comigo Major,
vamos dar um jeito nisso.
Ambos foram até o quarto dos fundos, onde
uma garota magra, de pele caramelo e longos cabelos lisos e negro, apoiava-se
de quatro no chão do quarto enquanto um porco enorme montava sobre ela e
grunhia feito louco enquanto a penetrava, a garota por outro lado não parecia
estar aproveitando muito.
- Você é um filho da
puta doente Porco.
- Então somos dois,
major... Somos dois.
Shalashaska abriu o zíper da calça,
ajoelhou-se no chão e fez a garota engolir até engasgar.
***
Calisto acabou faltando diversos dias na
escola, para poder curar-se das feridas de seu ultimo banho, fez o máximo
possível para ficar longe da casa, longe da tia até estar curado.
Passou diversas noites e dias em uma casa na
arvore que montou na pequena reserva da cidade no extremo norte de seu bairro.
Dificilmente alguém iria lá. Durante a madrugada ele retornava a sua casa,
pegava comida e roupas limpas, então voltava para a árvore. A bruxa velha não
parecia sentir sua faltar ou sua presença a não ser que o visse ou que chegasse
a época de retirar o cheque da pensão, por vezes o garoto pensou em viver
naquela casa improvisada, mas a policia apenas iria caçá-lo como já antes fizera.
Sua tia não permitiria a sua fonte de renda escapar tão fácil. Entretanto, ao
menos por algum tempo, ele teria liberdade.
À volta a escola foi a parte mais
complicada. As crianças começaram a repudiá-lo pela sua recém adquiria
monstruosa aparência. Numa cidade onde pessoas eram mortas na volta do trabalho
e a imundície corria solta ninguém ligava para um aluno cheio de cicatrizes, e
os que se importavam nunca conseguiam mudar nada.
Calisto tinha uma professora que parecia
demonstrar algum tipo de compaixão, porem mesmo ela, consolando-o com carinhos
e gentilezas, não pareceu fazer muito esforço para ajudá-lo de fato.
- Pivete nojento –
disse um dos garotos mais velhos ao chutar Calisto enquanto ele ainda estava no
chão – ratos feito você tem que mais é ficar no chão.
Os outros riram dele, roubaram o pouco
dinheiro que ele tinha e ainda cuspiam no jovem enquanto ele era espancado pelo
líder da gangue.
- Da próxima vez ande
com mais dinheiro, e use alguma coisa para cobrir essa merda de cara que você
tem antes que eu vomite nela.
Calisto chorou novamente no chão enquanto
eles iam embora, lagrimas de ódio. O sangue do jovem estava fervendo e
machucando sua pele, lançando nele um desejo de proporcionar a mesma sensação
nos outros, na bruxa, nos delinquentes, no planeta inteiro que o deixava
sofrer, que roubou-lhe dos seus pais, mas o que um garotinho podia fazer?
***
Bastou um toque no segundo botão de seu
controle e, assim que Colin alcançou o andar superior uma equipe inteira estava
esperando por ele, muitos sequer pareciam assassinos treinados, mas estavam
todos armados e letais.
- Mande alguém tirar a
garota do meu quarto e deixá-la se recuperar por alguns dias. Tive uma
maravilhosa ideia para meu próximo filme e ela dará uma excelente protagonista.
Ah! E por favor, não sujem nada – disse o Porco ao porteiro.
Os carros já estavam esperando na porta do
edifício quando ele parou e virou-se para seus homens.
- A ação hoje vai ser
muito mais ousada e perigosa do que já fizemos em muito tempo, vamos caçar
presas muito bem treinadas e armadas, portanto não se esqueçam, é a hora dos
porcos devorarem os leões – todos colocaram máscaras de porcos escuras para não
prejudicar a camuflagem negra da noite, com exceção do próprio Colin, seu terno
branco brilhava e sua própria face de porto reluzia à noite – A operação vai
ser rápida, vai ser correta e sem a menor misericórdia.
Quase não havia mais transito e os carros
cortaram o frio sereno sem dó e sem barulho. Colin continuavas com o celular na
mão lendo a mensagem de seu empregador, “Vá buscar o garoto”.
Shalashaska podia não ser muito querido
entre os policiais, mas o departamento sabia da influencia dele, perde-lo sem
fazer nada era inadmissível, e o pivete negro não era tão inteligente quanto
parecia. O imbecil resolveu agir por conta própria, agora Colin enchia-se de
raiva por ter de interferir, ao menos haveriam muitos presentes para ele enviar
ao seu empregador.
Eles pararam o mais longe que puderam da
esquina principal, onde os policiais já haviam montado um cerco em volta do
prédio onde o garoto estava. Dois grupos foram formados, Colin entrou no prédio
por uma das laterais posteriormente liberada por seus contatos do departamento,
enquanto os outros começaram o ataque direto ao cerco.
Granadas de gás e disparos avulso foram o
bastante para afugentar os policiais, médicos e civis. Não viria reforço eles
sabiam, a lei não tinha força naquele lugar, não quando uma grande gangue
atacava. Eles tinham tempo.
Dentro do edifício já havia uma equipe de
invasão. Eles derrubaram a porta do apartamento da prostituta, onde capturaram
em flagrante o garoto de recado do 14K no meio do seu ritual. A cabeça da moça
já havia sido decepada e o laço estava amarrado, o detetive Volgin estava
amarrado a uma cadeira com diversos sinais de tortura, mas ainda estava vivo.
A equipe tática estava algemando o rapaz
quando os homens porcos entraram. O apartamento era pequeno e apertado, armas
de fogo não seriam vantagem, e o Porco sabia disso. Uma granada flashbang
deixou os inimigos desnorteados, e com facas e cutelos, os mascarados
invadiram, cortando e rasgando todos os policiais. Levou menos de cinco minutos
para eliminar todos eles, e Colin não teve de mover um músculo.
- Que noite agitada –
disse ele ao vento.
O Porco caminhou até o ferido detetive e
parou.
- Que situação
deplorável Major, realmente uma pena você ter que morrer por um capricho de um
imbecil – Colin cravou-lhe uma faca na barriga e abriu-a até as tripas ficarem
expostas, largando-o lá para morre.
O garoto dos 14K, Colin não conseguia
lembrar seu nome, ainda lutava para voltar a enxergar.
- Ela feliz moleque?
Graças a sua teatralidade medíocre tive que afugentar todo o departamento de
policia, matar uma equipe inteira da SWAT e eliminar um possível ativo de valor
– o pivete pareceu recobrar ao menos uma parte da visão e encarou-o – Eu
deveria simplesmente matá-lo também. Contudo isso não cabe a mim. Vou soltar
você e te levar para “Ele” junto esses corpos, toda essa carne vai deixá-lo
feliz, mas não fique muito esperanço, pois duvido muito que seja o bastante
para ele te perdoar, e ver aquele homem irritado... Boa sorte!
Os homens do Porco trouxeram uma picape com
espaço o bastante para a oferenda. Depois dessa pequena guerra não havia viva
alma em canto algum, o transporte ocorreu sem problemas, Colin até ficou muito
feliz ao acertar a cabeça do pentelho e atira-lo junto aos cadáveres. “Tem
pessoas que merecem a imundice”, pensava ele.
***
Não devia ser tão tarde assim, mas não havia
sol em lugar algum. O céu estava num tom de azul escurecido e o vento frio, que
feria as feridas da surra que Calisto levara a pouco, indicava uma chuva a
caminho.
O jovem, agora ainda mais deformado do que
antes, estava prostrado no chão, sem conseguir mover sequer um músculo. Ele já
não chorava mais, não tinha mais força para isso. Estava, na realidade,
pensando sobre o que iria fazer com seu uniforme escolar todo sujo de sangue e
lama. A bruxa velha sem duvida iria puni-lo novamente por isso
- Odeie!
Calisto ergueu os olhos a procura da origem
da voz obscura, mas não havia ninguém lá.
- Odeie! Não tem
problema em odiar.
Por um instante o menino achou que estava
com alucinações, pois as sombras do beco começaram a se torcer e amontoar até começar
a tomar forma. O homem de sombra caminhou suavemente até o corpo caído dele e
ajoelhou-se.
- Eles pisaram você,
cuspiram em você.
Suas mãos negras tocaram o cabelo do jovem,
mas este nada sentiu.
- Os atentados contra
sua vida o tornaram bem ferido e deformado! Trabalhe para mim garoto e sua
determinação será forte como jamais antes, traga-me os cadáveres daqueles cuja
vida roubar e em troca eu curarei suas feridas e lhe darei tudo.
As palavras daquela voz estranha entraram
profundamente da mente de Calisto, tanto que ele chegou a imaginar se aquela
sombra não seria ele próprio.
- Coma a fruta – a
sombra pôs diante de seus lábios uma fruta horrenda, ela possua uma face de
olhos vazios, gemia baixo por entre a gengiva, pois não possuía dentes, e sua
cor de carmim dava a ela um aspecto viscoso – suas feridas serão curadas e você
vai poder se levantar, poder mudar, escolher um novo nome.
Calisto mordeu a fruta, mastigou, engoliu, e
mesmo assim não sentiu sabor algum.
Aos poucos ele se pós de pé, e o ódio
queimava nele muito mais que a dor.
- Traga-me os corpos –
disse o homem sombra antes de desaparecer.
Ele não voltou para casa aquela noite e na
tarde seguinte, durante uma feira de lojas camelo no centro da cidade, Colin
roubou uma máscara de porco para esconder seu rosto e usou um pedaço de madeira
qualquer para espancar até matar o verme que o surrou diversas vezes na frente
de seus comparsas. Os outros fugiram de medo e por meses juraram que seu amigo
fora morto por um porco mutante e que ele devorara seu corpo, visto que o
cadáver dele jamais foi encontrado.
Numa noite não muito tempo depois Colin
invadiu a casa de sua professora adorada, que tanto o consolava com um tom
zombeteiro. Ele a atingiu com um taco bem atrás da cabeça, a jogou sobre a cama
e estuprou durante horas, até por fim dar um fim a sua porca e cretina
existência. A foto dela esta no cadastro de pessoas desaparecidas, o Porco
ainda possui uma cópia do relatório.
Mas fora com a bruxa que Colin teve uma
experiência verdadeira de auto descobrimento. Enquanto amordaçava sua tia,
lançava-a na banheira e esfregava sua carne com a escova de aço até enxergar
partes dos ossos, ele percebeu que ela não estava errada em sua repulsa pela
imundice, apenas não possuía visão o bastante, ele então finalmente entendeu o
que deveria fazer.
***
Estava chovendo muito forte nesta noite,
mesmo Colin foi até a reserva onde um dia existiu uma casa na árvore. Desta vez
ele não estava de branco e sim de preto, levava consigo um buque de tulipas e
não usava sua máscara. Era uma sensação agradável para ele sentir a chuva em
sua alma atormentada. Ele sorriu.
- Olá tia, vim te
visitar. Hoje foi um dia agitado sabe. Muita bagunça a ser limpa, muitas
pessoas para enterrar na lama... Opa desculpe tia, não quis ser insensível. Só
tenho o que agradecer, sabe disso não sabe? Gostaria de poder ficar mais, mas
sabe como são os negócios.
Colin colocou as flores sob um fosso de lama
movediça e ela começaram a afundar.
- Vou rezar para que a
senhora continue se afogando na sujeira que tanto detesta pela eternidade tia,
porque no fundo sei que foi isso que tentou me ensinar, que preciso lançar os
vermes na lama para manter minhas mãos limpas. Prometo trazer mais flores de
novo... E de novo... E de novo.
!!!


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