-Existem algumas pessoas mais culpadas do que outras? Logico, e ela vão ter que prestar contas.
-Mas sejamos honestos. se se procuram um culpado só precisam se olhar no espelho."
Capítulo XIX
E foi aberta a ultima porta.
Eu estava em um corredor mal iluminado, a minha direita uma escadaria, porem a
passagem estava lacrada com arame farpado, praticamente intransponível, e já
que meu machado não estava em mão, ali não era um caminho viável. A esquerda
era o mesmo, a escada subia, mas estava impedida, em outras palavras não havia
por onde sair.
Caminhei a passos curtos pelo
corredor escuro. Meus olhos já estavam se acostumando, não havia ameaças a
vista, mas o clima estava denso, difícil explicar o quanto, não havia portas a
esquerda, e as duas primeiras à direita estavam lacradas por tabuas de metal,
somente a ultima não possuía barreira, por um segundo pensei que deveria
reconhecer esse lugar, uma sensação muito familiar.
- Chega de perder tempo – insisti.
Entrei.
Parecia apenas um quarto
comum, sala e cozinha, centro e a esquerda, uma porta a direita e um corredor
na mesma direção mais a frente. Quando dei um passo a frente a porta atrás de
mim bateu com um estrondo, no segundo seguinte todo o lugar possui um brilho
avermelhado, como o crepúsculo nas tardes mais vibrantes. Eu havia dado as
costas e encarado a porta, mesmo ouvindo os pequenos sussurros vindos de todo
lugar, não ousei me virar.
- É bom finalmente estar cara a cara com você, Hall.
Difícil dizer que a voz era
reconhecível ou não, mas ela sim fez com que eu me virasse.
Havia rostos em carne viva
vibrando nas paredes do lugar, eram elas a origem dos sussurros. Logo a minha
frente haviam duas poltronas que não estava ali antes, a de costas para mim
estava vazia, a que estava a frente dessa ocupada por um homem de pele quase
azulada e transparente, o cabelo era escorrido e encaracolado, barba por fazer,
roupa comum e um sorriso de gelar corações. Entretanto algo ali era novo, algo
ali eu não conhecia nem por descrição, John Silent nunca pode observar, mas eu
estava vendo. Os olhos do Torturador eram tristes, e não combinavam com
absolutamente nada do resto.
Os sussurros nas paredes
pararam por um instante, tudo se calou, e logo em seguida todas juntas
começaram a cantar, eram belas vozes, e por isso tão assustadoras.
Carry My Soul
Into The Night
May The Stars
Guide My Way
Into The Night
May The Stars
Guide My Way
- Achei que suas faces de carne ficassem em sua sala de operações.
- Meus domínios vão muito alem disso. Sente-se Hall, ambos
sabemos que deve estar cansado.
- Ficarei de pé obrigado.
Senti uma dor aguda no
pescoço, BigOne estava logo atrás de mim, agarrou-me e 0obrigou-me a sentar,
depois ficou apenas parado entre nós, exalando sua respiração profunda e
fétida.
I Glory In
The Sight
As Darkeness Takes the Day...
- Lamento pela recepção um tanto brutal, mas não quero você
fazendo uma cena. Tive décadas de trabalho para em fim poder estar com você
cara a cara. O Sr. Silent provou-se muito útil no final, espero que permaneça
assim.
- Porque todo esse trabalho para me trazer aqui?
- Hahaha. Curioso! Um mal de família imagino.
Não respondi a provocação, mas
minha curiosidade estava me corroendo por dentro, o que ele tanto queria
comigo?
- Vamos fazer um pequeno jogo que acha Hall? Você me conta
que truque minha irmã esta fazendo para te manter vivo, e eu respondo uma de
suas perguntas. Parece justo não?
Ele tem uma irmã?
- Vá pro inferno – cuspo.
- Não seja grosseiro.
- É você quem esta tentando me matar.
- Correto, e nisso não posso voltar a trás, lamento muito,
mas pense bem Hall, não seria tão ruim ficar aqui comigo. Poderia me ajudar a
controlar tudo isso. Quero você ao meu lado, somo quase irmãos eu e você!
Cada palavra dele soava
nauseante, me angustiava ver o quanto ele realmente acreditava naquilo tudo.
Maldito psicopata.
Ferte In Noctem Animam Meam
Illustre Stelle Viam Meam
Aspectu
Illo Glorior
Dum
Capit Nox Diem
- Você não conhece toda a história Hall.
- Então me conte.
- Se ficar aqui comigo. Se me ajudar.
- Prefiro morrer a ajudá-lo.
- Que tédio –
ele se joga sobre o recosto da poltrona e levanta as mãos – todos que dizem isso morrem, e
depois em ajudam do mesmo jeito. Só uma vez seguir o caminho mais fácil é pedir
demais?
Ele estava muito confiante,
estava jogando comigo, a criatura era seu escudo, apesar dele provavelmente não
precisar de um. Não queria admitir, mas o suor frio em minhas mãos e pernas não
me deixava duvidas, meu nervosismo estava perigoso, eu tinha de manter a calma,
virar o jogo, ou logo estaria morto, e não sabia se voltaria dessa vez.
- Você pode ser morto por alguém do seu sangue não é? É por isso que
tem medo que eu encontre o tal Dante? O garoto tem algo haver com você? Ou esta
tal irmã sua, ela que é a tal Rainha Vermelha?
Cantante
Vitae Canticu
Sine
Dolore Acte
Dicite
Eis...
Apostei e foi alto. O rosto
dele foi de descontraído para horror e surpresa total. Por um segundo achei
realmente que fosse ser morto, mas por fim ele sorriu, acalmando a si mesmo, e
relaxando outra vez. O jogo continuava.
- Trazer
você aqui foi um desejo dos dois lados ao fundo, eu quero te matar e acabar com
tudo, e alguns insetos acham que você pode ser a chave para o fim de tudo que
eu construí, todavia tem algo que ninguém consegue enxergar – ele saltou do banco e seu rosto se
transformou, sua voz tornou-se um grito – tudo que eu fiz foi justo! Apenas sou o que todos queriam
que eu fosse, mas nem de longe sou o monstro aqui! – então ele voltou a se acalmar – Ou melhor, eu não era, agora eu
sou. Essa cidade é minha Hall, aqui só entra que eu quero e só sai quem eu
deixo.
Foi minha vez de remover a expressão
de susto em minha face e tentar me recompor antes de falar.
- Bem Torturador...
-
Flinders é meu nome, mas você pode me chamar de James.
Flinders? Espere, é mesmo, no
relato de John havia algo sobre isso. Flinders enganou e matou todos que vieram
junto a Hwan, o homem que ajudou Silent, esse era o sobrenome do Torturador
então...
- Dante Flinders! Esse é o nome do garoto, por isso tem medo dele, é
seu parente, e essa Rainha Vermelha deve ser sua irmã, por isso tem medo deles,
por isso...
Outra vez falei demais, BigOne
agarrou minha garganta no mesmo instante e me ergueu do chão, tirando o ar,
deixando em pânico e me retorcendo.
Sing A Song
A Song Of Life
Made
Without Regret
- Parece
que nosso encontro foi em demasiado precipitado meu jovem amigo.
Tentei falar entre mo aperto
em minha garganta, foi meu terceiro erro. BigOne cravou suas unhas em meu
pescoço e arrancou fora minha garganta. O choque foi instantâneo e agora eu
estava engasgando em meu próprio sangue.
- Você
só me dá trabalho não é irmãzinha? – ele falou para o ar – Mas não vai poder trazê-lo de volta a vida para sempre, e
nem você nem nosso querido irmão vai poder fazer qualquer coisa a respeito – voltou-se para mim novamente – Por hora é um adeus Hall, tenho
a impressão de que nos veremos de novo, mas sua sorte não durará para sempre.
Ah verdade! Diga a sua “Rainha Vermelha” e para nossa doce garotinha que eu
disse... Olá!
BigOne atirou-me pela janela
atrás do Torturador.
Tell The
Ones
The Ones I Love
I Never Will Forget
O vidro se partiu e eu atravessei para o frio,
a neve, e logo mais o chão.
Never
Will Forget...
Aqui só entra quem eu deixo
E só sai quem eu quero"


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